quinta-feira, 6 de maio de 2021

Um ano do canal do Youtube Vinhos e Prazeres

 Neste momento em que nosso canal do Youtube "Vinhos e Prazeres” completa 1 ano de existência, quero  agradecer a este público que nos acompanha, por todo apoio que estamos tendo.



Eu, particularmente, sempre apreciei vinhos, mesmo no passado quando os vinhos não tinham tanta qualidade quanto tem hoje em dia.



Pensando nisto, fiz um curso na ABS, de introdução ao mundo do vinho, onde participei também de várias degustações comentadas.



Estive em inúmeros eventos, onde conheci e degustei vinhos do mundo todo.



Em 2002 comecei a aproveitar as viagens que fazia pelo mundo, para conhecer vinícolas. Começando esta nova turnê pela região de Champagne.



Em 2009 criei um Blog (http://vinhoprazer.blogspot.com.br/), chamado de Vinhos e prazeres, com o objetivo de compartilhar minhas experiências no mundo do vinho. Hoje ele conta com mais de 800.000 acessos e mais de 800 artigos.



Em 2016 comecei a publicar artigos no jornal O Diário da Região, que é o maior jornal da região noroeste do estado de São Paulo: (https://www.diariodaregiao.com.br/secoes/blogs/vinhos-e-os-prazeres).



Devido à pandemia, que me impediu de viajar e participar de eventos, criei o canal do Youtube,  Vinhos e Prazeres (https://www.youtube.com/c/VinhosePrazeres). O canal alcançou mais de 15.600 vizualizações e 321 inscritos. Este projeto conta com a ilustre participação de um grande amigo e enófilo Marcelo Soares!



Através do canal, fizemos entrevistas com produtores de vários países, com foco maior nos brasileiros, que vem se superando em suas produções de vinhos, a cada dia, surpreendendo muita gente! Entrevistamos  mais de 20 produtores das regiões: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Vale do São Francisco, Goiás e Brasilia. Publicamos também vídeos sugerindo vinhos e divulgando o mundo do vinho.



Tendo em vista o sucesso do canal, pretendemos continuar fazendo estas publicações, bem como promovendo degustação on Line com produtores, para que os apreciadores de vinho possam ter um contato direto com eles.



Neste momento mundial tão difícil,  com tantas restrições, abrir portas para o mundo do vinho é uma possibilidade que oferecemos e que nos dá muita alegria.



Agradecemos os seguidores do canal e pretendemos continuar procurando novidades e divulgar este maravilhoso mundo do vinho!



Foram feitos 85 vídeos com 42 produtores no total, provenientes de: 



Brasil 20, Portugal: 6, Italia: 5, França: 3, Chile: 2, Canada:1, Uruguay: 1, Argentina: 1, Geórgia:1, Alemanha: 1 e Espanha: 1

terça-feira, 30 de março de 2021

Evolução enológica foi decisiva na Safra 2021

Novas variedades, manejo nos vinhedos, diversidade e compreensão do terroir foram determinantes para garantir uma safra de qualidade e com grande volume


 

O Brasil vitivinícola amadureceu. Nos últimos 20 anos, a cadeia produtiva da uva e do vinho passou por uma transformação histórica, mostrando ao mundo que com muito estudo e investimento é possível driblar condições climáticas extremas. O Brasil é um continente de solos, climas, terroirs e neste universo, engenheiros agrônomos e enólogos, se debruçam numa jornada incessante para melhor compreender cada microclima, podendo extrair o melhor de cada vinhedo. São 26 regiões produtoras em 10 estados brasileiros, cada uma com suas particularidades. Mesmo assim, de forma geral, podemos dizer que a Safra 2021, no Brasil, colheu uvas sãs, no ponto ideal de maturação para cada tipo de vinho a ser elaborado. Ou seja, foi uma vindima de qualidade e também de grande volume.

 


O resultado é reflexo deste conjunto de ações que combinam conhecimento, sensibilidade, tecnologia e natureza. “As últimas safras estão sendo brindadas com vinhos e espumantes diferenciados, com reconhecimento internacional. Aprendemos com o tempo, evoluímos junto com ele. Este ano não foi diferente. O mercado pode aguardar por rótulos com grandes atributos”, garante o presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), enólogo André De Gasperin. A brotação uniforme nos vinhedos e poucas chuvas no período de floração contribuíram para uma safra de grande volume. Já a qualidade contou com a expertise dos técnicos que fizeram um bom manejo nos vinhedos, permitindo que a colheita acontecesse no tempo certo.



O diretor Técnico em Enologia da ABE, enólogo Vagner Marchi, chama a atenção para a heterogeneidade da Safra 2021, muito maior que a do ano passado. “Dependendo da região e da variedade, a qualidade se diferencia. Equilibrar tudo isso é um desafio. E é aí que entra o trabalho de manejo do viticultor, aliado às particularidades de cada vinhedos e à expertise do enólogo”. Para o ex-presidente da ABE, enólogo Daniel Salvador, esta safra se resume aos avanços em viticultura com a evolução enológica. “Hoje temos uma estrutura invejável, conhecimento, fizemos ensaios permanentes, aprendemos a respeitar e a entender a vinha. Tudo isso impactou nas uvas e, consequentemente, nos vinhos com resultados espetaculares”, ressalta.



Sinal de bons espumantes

O conselheiro da ABE, enólogo Carlos Abarzúa, relata que o inverno de 2020 teve precipitação pluviométrica acima do normal, não impactando o ciclo da videira em dormência. As horas de frio se mantiveram dentro do normal (400 horas abaixo de 7,5ºC), com maior concentração em julho, sendo satisfatório para a plena superação da dormência e para garantir uma brotação uniforme das variedades Chardonnay e Pinot Noir, ideais para espumantes. Foram registradas muitas geadas neste período. Algumas no final do inverno e início de brotação da variedade Chardonnay, sendo necessário a intervenção humana com práticas como uso de calor, aquecimento dos vinhedos com fogões, uso de aminoácidos protetivos.


Segundo Abarzúa, já a primavera de 2020 foi caraterizada por precipitações pluviais abaixo da média histórica para o trimestre. Foram 124mm bem distribuídos. A umidade foi ideal para garantir um bom start do ciclo de brotação da videira. Em outubro, foram apenas 54mm e em novembro 42mm, o que garantiu um florescimento pleno e uma excelente frutificação. A temperatura média foi acima de média histórica na primavera-verão, porém com grande amplitude térmica diária, com dias quentes e noites frias. Por isso, o ciclo não foi antecipado, o que favoreceu a qualidade enológica das uvas precoces. “Podemos dizer que com uma primavera seca tivemos espetacular florescimento e pegamento do fruto, o que garantiu boa produtividade e qualidade dos vinhedos”, explica.


De forma geral, os enólogos destacam a excelente qualidade das uvas utilizadas na elaboração dos vinhos brancos e bases para espumante. Além da boa sanidade e da concentração de açúcares, essas uvas também apresentaram uma acidez natural que garantirá o frescor desse tipo de produto. O testemunho é do vice-presidente da ABE, enólogo Ricardo Morari. Segundo ele, no caso dos tintos, os rótulos de maior volume terão vinhos jovens, frutados e leves. Já os que nasceram da seleção e do intenso manejo nos vinhedos, da concentração de açúcares e maturação fenólica, passando por maceração com casca, resultarão em vinhos com maior tempo de guarda. Em ambos os casos, a sanidade das uvas se fez presente.


Outro aspecto importante a ser considerado é que a estabilidade climática a partir da metade de fevereiro permitiu prolongar a vindima, o que foi importante para atingir essa maior maturação nas tintas. O enólogo Bruno Motter, diretor Técnico em Viticultura da ABE, acredita cada vez mais que cabe aos enólogos ‘sair da cantina’ e ir aos vinhedos, acompanhando de perto cada etapa da formação da matéria prima. “Não podemos parar de buscar novas técnicas e variedades de uvas, formas de manejo, tudo para minimizar a oscilação das safras. Assim, faremos grandes vinhos todos os anos”, destaca.


Além do RS

Se no Rio Grande do Sul, as uvas precoces apresentaram melhores resultados, no Paraná a realidade foi outra. Segundo o vinhateiro Fernando Camargo, essas variedades não conseguiram grandes concentrações de açúcares, porém tiveram boa sanidade. Já as variedades que amadureceram a partir do final de fevereiro alcançaram uma maturação fenólica muito positiva, com destaque para as uvas Malbec, Tannat e Cabernet Sauvignon com graduações alcoólicas acima dos 13% vol.


Em Santa Catarina a maioria dos produtores já finalizou a safra. Em São Joaquim a colheita está em fase de conclusão. De acordo com o enólogo Átila Zavarisse, janeiro foi bem chuvoso, mas as práticas de raleio, desfolha, desbrota, poda verde e várias limpezas no vinhedo ajudaram a manter as uvas sadias. “A produção foi boa, com vinhos no tanque que surpreendem, com qualidade acima da média. As variedades mais tardias foram as melhores com destaque para a Cabernet Sauvignon e Merlot. A sanidade está muito boa”, comenta.


Já em Minas Gerais, conforme informações da enóloga Isabela Peregrino, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), a safra foi marcada por uma redução na produção, com cachos menores, resultado da estiagem prolongada até meados de novembro. Alguns produtores da região também enfrentaram perdas por granizo. A qualidade das uvas em si foi muito boa, para aqueles que colheram uvas finas entre dezembro e janeiro (Chardonnay e Pinot Noir). Na Serra da Mantiqueira, onde o cultivo é protegido, a qualidade também foi boa, apesar de terem enfrentado um pouco mais de chuva durante fevereiro. Alguns desses produtores ainda estão colhendo suas uvas. Ela explica que a safra de verão é muito menor que a de inverno, quando coletam mais dados, podendo falar com mais propriedade.


No Nordeste do país, mais precisamente no Vale do São Francisco, o calendário é outro. Lá, são realizadas duas safras por ano, com colheita em 10 dos 12 meses. A Safra 2020 está terminando agora. Segundo a enóloga Eloíza Teixeira, tudo indica que 2021 será um ano mais seco que os dois anteriores, apontando para uma safra promissora e sadia. Isso porque o acúmulo pluviométrico de dezembro até agora está em torno de 200mm, quando o normal para o período é de 300mm.

A produção em São Paulo tem se destacado pela ocorrência de duas safras distintas, uma no Inverno e outra no Verão. De acordo com o Doutor Fábio Laner Lenk, coordenador do curso Superior deTecnologia em Viticultura e Enologia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia São Paulo - Campus São Roque, a ‘Safra de Inverno’, como habitual, ocorreu após um período de baixa pluviosidade, possibilitando a plena maturação dos frutos. As variedades mais representativas foram a Syrah, Pinot Noir, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon. Entre as brancas destaque para a Sauvignon Blanc e Chardonnay. A confirmação do fenômeno climático La Niña foi marcante no início da Primavera e influenciou a ‘Safra de Verão’ devido um período de maior estiagem, sendo benéfico para o controle fitossanitário e antecipação da maturação das cultivares mais precoces e uvas comuns. Porém, ressalta Lenk, com o aumento dos índices de chuvas em janeiro e fevereiro os cuidados com a sanidade das uvas em relação ao míldio (Plasmopara vitícola) e podridões foram intensificados.


Projeções

O Brasil ainda não tem os dados oficiais de fechamento da Safra 2021, mas previsões feitas pela União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra) indicam um resultado de mais de 800 mil toneladas somente no RS. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), hoje o estado mantém 46.774 hectares destinados ao cultivo da uva, com produção em 122 dos 497 municípios gaúchos. Falando de Brasil, a estimativa é de que se atinge 1,4 milhão de toneladas.

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Vinhos finos ganham mais prêmios que espumantes em 2020

Brasil fecha 2020 com 321 Medalhas conquistadas em 18 concursos realizados em 12 países



O ano de 2020 realmente foi o ano do vinho brasileiro, dentro e fora do país. O mesmo reconhecimento conquistado com o espumante agora é percebido em relação aos vinhos finos nacionais. O padrão de qualidade é uma realidade degustada e aprovada por especialistas do mundo inteiro. Das 321 medalhas conquistadas em 2020, 166 foram para vinhos, ou seja, 51,71%. Os espumantes ‘brazucas’ arremataram 147 prêmios, 45,79% do total, ficando 2,5% para destilados e licorosos com oito distinções. Agora, o Brasil chega a 4.806 premiações.



Na história do setor vitivinícola brasileiro, o ano passado foi o terceiro melhor desempenho em número de premiações, ficando atrás apenas de 2014 com 388 e 2016 com 338 medalhas. Mas esta é a primeira vez em 26 anos que os vinhos finos ganham tamanha representatividade, superando as premiações dos espumantes. O registro das premiações existe desde 1995, quando a Associação Brasileira de Enologia (ABE) assumiu o papel de enviar as amostras para concursos reconhecidos mundialmente, função que fortaleceu a imagem do vinho brasileiro junto a instituições como a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV).



“Estamos vivendo um novo e frutífero momento do vinho brasileiro. Mostramos ao mundo que depois de tanto investimento em tecnologia, estudos e pesquisas, do vinho ao ponto de venda, o Brasil figura entre os grandes produtores de vinhos e espumantes de excelência do mundo. Hoje, esta é uma realidade percebida no Brasil e no mundo”, comemora o presidente da ABE, André de Gasperin. O enólogo complementa, destacando que o Brasil se diferencia ainda mais por ser um continente de solos e climas o que resulta numa produção tão diversificada que contempla os mais diversos estilos.



Toda essa jovialidade e ao mesmo tempo sofisticação foram reconhecidos em 18 concursos realizados no Brasil, Canadá, Chile, Espanha, França, Grécia, Hungria, Inglaterra, Itália, Portugal, República Tcheca e Suíça. Para a Associação, uma excelente performance num ano de pandemia, onde muitos concursos precisaram se adaptar, mudando datas e procedimentos. “Em razão do fechamento da fronteira com a Argentina, não conseguimos enviar amostras para o Vinus e o La Mujer Elige, que todos os anos temos o hábito de mandar”, lamenta Gasperin.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Viagem para a região vinícola da serra catarinense

A serra catarinense produz bons vinhos!

Depois de provar alguns deles e entrevistar produtores, para o meu canal do Youtube Vinhos e Prazeres, resolvi conhecer em loco as vinícolas.



Vindo de São Paulo, pela perigosa e sem fiscalização, Br 116 e 101, decidi ir direto para a cidade de Rodeio, perto de Blumenau, a fim de visitar a vinícola San Michele.



De lá, segui para Florianópolis (onde morei por 5 anos) para desta vez, passar um tempo com a família.


No caminho de Rodeio para Florianópolis, parei para almoçar em São Miguel, onde tem um bonito aqueduto e uma cachoeira. Os restaurantes de lá são simples, mas comemos um bom camarão, à um preço acessível.



De Floripa, segui viagem pela SC 110, em direção à Urubici, passando por Santo Amaro da Imperatriz e Rancho Queimado.Este trecho que fiz, da serra do Tabuleiro é bem bonito! Com vistas a muitas hortênsias no período de novembro. O trajeto tem 172 km e leva umas 3 horas para ser feito, pois a serra é bem sinuosa e de difícil ultrapassagem.



Chegando no topo da serra catarinense, visitei a vinícola Thera, com boa pousada e restaurante. Fiquei pouco tempo, pois os vinhos não são feitos ali e sim na Vila Francione (vinícola da mesma família dos proprietários da Thera). Apesar de ser boa a pousada da Thera, ela está situada longe das outras vinícolas e a estrada entre elas é sinuosa e difícil.



Em seguida passei por Urubici, onde comemos deliciosas tortas no Armazém Vale das Montanhas (armazemvaledasmontanhas@gmail.com). A proprietária, Sra Elisa (fone 49 991118971), organiza visitas às vinícolas e passeios pela região.



Pelo caminho, vimos vários locais onde vendiam produtos da região como: mel, geléia, vinhos, queijos e embutidos.



De Urubici , seguimos para  São Joaquim, onde ficam a maioria das vinícolas da região. O trecho também é sinuoso e os 58 km de distância entre as duas cidades, leva 1 hora para ser percorrido.



São Joaquim, parece também uma cidade do interior. Ficamos hospedados no São Joaquim Park Hotel, localizado no centro da cidade e talvez,  o maior prédio de lá. O preço do hotel é em conta, por volta de R$250, com café da manhã incluído. 


Quem tiver mais tempo pode procurar alguma pousada charmosa e provavelmente mais cara.



Visitamos a vinícola Villagio Conti, onde fomos recebidos pelo proprietário, Humberto Conti. Ela fica no caminho entre Urubici e São Joaquim.



No dia seguinte de manhã, fomos conhecer a vinícola Leone di Venezia, que fica próxima à São Joaquim, onde fomos recebidos pelo proprietário, Saul Bianco.



Nós pretendíamos voltar para Florianópolis, pela serra do Rio do Rastro, que é muito bonita e cheia de curvas sinuosas. Descobrimos então que ela estava fechada para decidas, das 7 às 19 horas.



Nos indicaram então a serra do Corvo branco, próxima à Urubici, que é uma pirambeira, sem calçamento, mas muito bonita!



A descida foi uma aventura, principalmente com um carro baixo como o meu. A estrada praticamente tem uma pista só e é toda esburacada e com poucos pontos de ultrapassagem. Quando algum caminhão aparecia, era uma acrobacia fazer o cruzamento, sendo necessário às vezes, dar marcha à ré.



A descida da serra nos ofereceu uma bela paisagem, com passagens estreitas entre as rochas cortadas, muita vegetação e cachoeiras.



No pé da serra o carro começou a apresentar um chiado no freio dianteiro e tivemos que parar numa oficina depois para tirar uma pedra do disco de freio.



Depois de toda esta aventura voltamos à Florianópolis.


Nesta viagem, percebemos  que, diferente da serra Gaucha, na Serra Catarinense, as vinícolas ficam longe umas das outras e nem sempre o acesso é muito bom. 



O turismo também não oferece tantos atrativos assim, mas os vinhos justificam a viagem e a bela paisagem também.


Uma boa alternativa seria a de ir de avião até Florianópolis e lá alugar um carro para ir até a serra. 



sábado, 30 de janeiro de 2021

2020, o ano dos vinhos finos brasileiros

Melhor ano da história do vinho brasileiro fechou com a venda recorde de mais de 24 milhões de litros. Espumantes e suco de uva não tiveram o mesmo êxito.



O ano do vinho fino. Assim ficará marcado na história da vitivinicultura brasileira o ano de 2020, batizado como a ‘Safra das Safras’. Desde 2013, as vinícolas não superavam os 20 milhões de litros. O volume de 2019 de 15,4 mi de litros saltou para 24,2 mi de litros no ano passado, um incremento de 56,56%. Já os espumantes caíram 6,63%, passando de 13,5 mi litros para 12,6 mi litros, com exceção dos moscatéis que tiveram um pequeno acréscimo de 3,90%, indo de 8,9 mi litros para 9,2 mi litros. Outra queda foi na categoria do suco de uva. Os 175,9 mi de litros vendidos em 2019 caíram para 166,7 mi em 2020, um tombo de 5,24%. Estes são os dados oficiais da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), com base no Sistema de Cadastro Vinícola da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul e do Ministério da Agricultura.



Apesar do bom desempenho geral, o setor ainda busca maior competitividade frente aos importados que, mesmo com a alta do dólar, cresceram 28,85% no mesmo período. Só que neste caso, o volume é oito vezes maior que o dos vinhos finos brasileiros, ou seja, em 2019 foram 114,1 mi de litros e em 2020, 147,1 mi de litros. “O trabalho é longo, mas estamos no caminho certo. Agora, uma parcela maior de brasileiros descobriu o vinho nacional e percebeu sua qualidade. Nosso desafio é manter este consumo e ir além”, destaca Deunir Argenta, presidente da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra).


Fatores econômicos, de logística, tributários, diversidade, novas regiões produtoras, desenvolvimento do enoturismo, a mudança de hábitos em razão da pandemia e o locavorismo (valorização do comércio local) contribuíram para o ganho de competitividade. Mas a grande conquista é a percepção por parte dos brasileiros da qualidade dos vinhos e espumantes nacionais. “Nosso país é um continente e o setor vitivinícola brasileiro, apesar de já existir mais de 20 regiões produtoras, ainda tem 90% de sua produção centralizada no Rio Grande do Sul. Precisamos melhorar ainda mais essa distribuição, aproximando o consumidor dos nossos rótulos”, ressalta Argenta. A aposta no e-commerce e em ferramentas práticas como o próprio WhatsApp tem facilitado a venda com entrega em qualquer parte do país.


Exportações


O volume de vinhos finos e espumantes que chegam à mesa de consumidores do mundo todo ainda é pequeno, mas mesmo diante de uma pandemia global e dos entraves que ela ocasionou, especialmente o fechamento de fronteiras, o desempenho em 2020 foi positivo. O volume em litros de vinhos finos que saiu do Brasil rumo a outros países passou de 3,4 mi em 2019 para 4,4 no ano passado, um impulso de 29,85%. O crescimento também acompanhou os espumantes que foram de 686 mil para 771 mil, um aumento de 12,29%. Já o suco de uva, teve uma queda expressiva de 43,13%, indo de 2,4 mi para 1,3 mi.


COMERCIALIZAÇÃO DE VINHOS FINOS, ESPUMANTES E SUCO DE UVA ELABORADOS NO RIO GRANDE DO SUL – MERCADO INTERNO 2020 (litros) – JAN A DEZ 2020


PRODUTOS

DEZEMBRO 2020

JAN A DEZ 2019

JAN A DEZ 2020

Vinhos Finos

1.520.188

15.479.390

24.233.965

Espumantes (Brut)

1.363.261

13.544.432

12.646.377

Espumantes (Moscatéis)

1.351.221

8.911.279

9.258.438

Suco de Uva *

13.970.121

175.956.107

166.729.482

* Suco de Uva (Natural/Integral, Reprocessado/Reconstituído, Adoçado e Concentrado)


Fonte: SISDEVIN/SEAPDR | Elaboração: Uvibra – Dados coletados em 14 de janeiro de 2021.


IMPORTAÇÃO DE VINHOS FINOS, ESPUMANTES E SUCO DE UVA 2020 (litros)


PRODUTOS

JAN A DEZ 2019

JAN A DEZ 2020

1,00049529470035%

Vinhos Finos

114.181.000

147.127.000

28,85%

Espumantes

6.163.000

4.948.000

-19,72%

Suco de Uva

90.000

28.000

-61,80%

Fonte: Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Os vinhos brasileiros ganharam vários prêmios

 Brasil fecha 2020 com 321 Medalhas conquistadas em 18 concursos realizados em 12 países




O ano de 2020 realmente foi o ano do vinho brasileiro, dentro e fora do país. O mesmo reconhecimento conquistado com o espumante agora é percebido em relação aos vinhos finos tranquilos nacionais. O padrão de qualidade é uma realidade degustada e aprovada por especialistas do mundo inteiro. Das 321 medalhas conquistadas em 2020, 166 foram para vinhos tranquilos, ou seja, 51,71%. Os espumantes ‘brazucas’ arremataram 147 prêmios, 45,79% do total, ficando 2,5% para destilados e licorosos com oito distinções. Agora, o Brasil chega a 4.806 premiações.


Na história do setor vitivinícola brasileiro, o ano passado foi o terceiro melhor desempenho em número de premiações, ficando atrás apenas de 2014 com 388 e 2016 com 338 medalhas. Mas esta é a primeira vez em 26 anos que os vinhos finos ganham tamanha representatividade, superando as premiações dos espumantes. O registro das premiações existe desde 1995, quando a Associação Brasileira de Enologia (ABE) assumiu o papel de enviar as amostras para concursos reconhecidos mundialmente, função que fortaleceu a imagem do vinho brasileiro junto a instituições como a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV).



“Estamos vivendo um novo e frutífero momento do vinho brasileiro. Mostramos ao mundo que depois de tanto investimento em tecnologia, estudos e pesquisas, do vinho ao ponto de venda, o Brasil figura entre os grandes produtores de vinhos e espumantes de excelência do mundo. Hoje, esta é uma realidade percebida no Brasil e no mundo”, comemora o presidente da ABE, André de Gasperin. O enólogo complementa, destacando que o Brasil se diferencia ainda mais por ser um continente de solos e climas o que resulta numa produção tão diversificada que contempla os mais diversos estilos.

 


Toda essa jovialidade e ao mesmo tempo sofisticação foram reconhecidos em 18 concursos realizados no Brasil, Canadá, Chile, Espanha, França, Grécia, Hungria, Inglaterra, Itália, Portugal, República Tcheca e Suíça. Para a Associação, uma excelente performance num ano de pandemia, onde muitos concursos precisaram se adaptar, mudando datas e procedimentos. “Em razão do fechamento da fronteira com a Argentina, não conseguimos enviar amostras para o Vinus e o La Mujer Elige, que todos os anos temos o hábito de mandar”, lamenta Gasperin.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Avinícula da serra gaúcha, Dal Pizzol

 Na Viagem que fiz no início de 2020, com amigos enófilos, para a serra gaúcha, uma das vinícolas escolhidas para visitarmos foi a Dal Pizzol. 



O desejo era conhecer as Vinhas do Mundo, um tipo de museu que hoje reúne mais de 400 variedades de uvas, de mais de 35 países, de todos os continentes. A primeira Colheita Simbólica da Dal Pizzol foi realizada em 2011, e então vinificado o primeiro VINUMMUNDI, realizado com 20 variedades de uvas. Neste mesmo ano, a vinícola também estreou a Degustação às Cegas, uma experiência enoturística única, realizada com pessoas de olhos vendados. A cada ano, uma nova Colheita Simbólica  acontece no Vinhedo do Mundo e dela surge um novo VINUMMUNDI, com mais de 100 castas.



No programa de visita a Dal Pizzol, que deve ser agendado, você recebe equipamentos para colher algumas uvas da Vinumnundi, podendo prová-las também. 



Este é o segundo vinhedo deste tipo no mundo, sendo o primeiro desenvolvido na Eslovênia.



Nesta visita provei até uvas da Geórgia, onde estive em 2020. 



Depois de colhidas, as uvas vão para a vinificação, cujo vinho será apresentado no ano seguinte.



Neste dia, almoçamos na vinícola e provamos o vinho feito com a colheita do ano anterior. O vinho é mais uma curiosidade, pois este blend inusitado resulta, em geral, num vinho pouco agradável . Isto mostra o que aconteceria se fizéssemos um blend, sem levar em conta as proporções e as uvas, que deveriam combinar entre elas.



Neste início de janeiro de 2021 faleceu um dos irmãos e sócios da vinícola: Antonio Dal Pizzol.

Acrescento abaixo palavras da assessora de imprensa da ABE (Associação Brasileira de Enologia) Lucinara Masiero sobre o trabalho do sr. Antonio Dal Pizzol:

A vinha cresce, floresce, dá frutos que geram vinhos, que evoluem, que emocionam, que  deixam lembranças, que marcam o tempo. Todo vinho é feito para ser degustado, mais cedo ou mais tarde, dependendo do seu estilo, da sua complexidade, do momento. Mas todos, sem distinção, nascem no vinhedo e é na taça, compartilhada com amigos, que cumpre seu papel mais importante: o de reunir pessoas para brindar a vida. Essa tem sido a rotina da Dal Pizzol Vinhos Finos há 47 anos. Porque o tempo é a mais implacável das medidas. Ele passa, deixa marcas, mas não volta. O dia 9 de janeiro de 2021 nunca mais será esquecido pela Dal Pizzol. Foi neste dia que a vinícola perdeu um de seus fundadores, o Antônio Dal Pizzol (71), o Seu Toninho, como era carinhosamente chamado por todos que o conheciam. E perdemos todos nós, pois não teremos mais sua presença carismática, cheia de paixão pelo vinho e pela vida. Daqui para frente nossos brindes não serão mais os mesmos, mas não deixaremos de brindar. Aliás, agora, mais do que nunca, vamos nos esforçar ainda mais para que o seu exemplo não se apague e permaneça vivo em cada brinde, como gostava de viver.

Sua história com o vinho brasileiro começou ainda em 1974, quando fundou a Vinícola Monte Lemos – a reconhecida Dal Pizzol Vinhos Finos, localizada na Rota Cantinas Históricas, no distrito de Faria Lemos, interior de Bento Gonçalves (RS). O primeiro vinho que o Seu Toninho colocou debaixo do braço e saiu pelo Brasil abrindo mercado foi o Do Lugar Cabernet Franc, lançado em 1978 para comemorar o Centenário da vinda da Família Dal Pizzol ao Brasil. Durante toda sua vida, este sempre foi seu vinho preferido. Em 1981, surge o primeiro vinho carregando o nome da família, o Dal Pizzol Merlot. Com 20 anos no mercado, a empresa começa a colecionar prêmios sendo destaque na 2ª Avaliação Nacional de Vinhos com o seu Cabernet Sauvignon 1994. O primeiro prêmio internacional veio da França, em 1997.

Para comemorar seus 25 anos, a Dal Pizzol abre, em 1999, um espaço dedicado ao Enoturismo e que até hoje encanta todos que o visitam: é o Parque Temático do Vinho Dal Pizzol, um museu a céu aberto que preserva a cultura dos imigrantes italianos e ao mesmo tempo mantém uma coleção botânica de espécies nativas, exóticas, ornamentais, frutíferas e medicinais, todas identificadas e catalogadas. Animais domésticos e silvestres andam soltos e livres na natureza. O projeto tem apoio do Ministério da Cultura do Governo Federal, através da Lei Rouanet de Incentivos Fiscais, seguindo o conceito de que vinho é um Patrimônio Nacional e Universal. É lá que foi instalado o Vinhedo do Mundo, que logo viria a se tornar uma das três maiores coleções de uvas privada do mundo, a maior da América Latina.

Ainda em 1999, a Dal Pizzol começa a elaborar espumantes, colocando no mercado o Dal Pizzol Brut Tradicional. Sua tradição de lançar produtos comemorativos em datas especiais ganha força nas Bodas de Prata com a apresentação de um vinho assemblage envasado em garrafa de 3 litros (Dal Pizzol Millenium 2000), uma Grappa envasada em garrafa estilizada, importada da Itália, e um vinho comemorativo aos 25 anos, o Dal Pizzol Assemblage em garrafa de 500 ml. Mais tarde, em 2002, surge o Dal Pizzol Pinot Noir, hoje considerado um dos ícones do Brasil. E assim, com o passar dos anos, a vinícola foi lançando novos produtos, aperfeiçoando técnicas, conquistando paladares, sempre seguindo sua filosofia de elaborar vinhos sem passagem por barrica de carvalho, extraindo o máximo da fruta.

Em 2003, a marca começa a exportar para a Bélgica. Em 2004, em seus 30 anos, a empresa lança seu vinho comemorativo, incluindo em seu portfólio o Do Lugar Suco de Uva 100% Natural e o Do Lugar Espumante Moscatel. O Bag in Box chega em 2007. Um dos grandes lançamentos da Dal Pizzol foi o Touriga Nacional 200 Anos, lançado em 2008 em comemoração a chegada da Família Imperial ao Brasil. O sucesso foi tanto que o rótulo permanece até hoje em linha.

O Vinhedo do Mundo, que hoje reúne mais de 400 variedades de uvas de mais de 35 países de todos os continentes, teve sua primeira Colheita Simbólica em 2011, de onde foi vinificado o primeiro VINUMMUNDI, com 20 variedades de uvas. Neste mesmo ano, a vinícola também estreou a Degustação às Cegas, uma experiência enoturística única, realizada com os olhos vendados. A cada ano uma nova Colheita Simbólica no Vinhedo do Mundo e dela um novo VINUMMUNDI, tendo exemplares feitos com mais de 100 castas.

Em 2013 foi inaugurado, o Ecomuseu da Cultura do Vinho, com um acervo de vinhos brasileiros e internacionais de grande importância histórica. E juntamente com o Instituto R. Dal Pizzol passam a integrar a Association for Culture and Tourism Exchange (ACTE), uma das mais importantes entidades voltadas à cultura do vinho na Europa. E toda esta trajetória foi sendo construída safra a safra por Toninho na área comercial, e seu irmão Rinaldo Dal Pizzol (83), em projetos histórico-culturais, sócios inseparáveis.

E chega 2014 e com ele os 40 anos da vinícola. Para comemorar, um gran assemblage feito com Merlot, Cabernet Sauvignon, Tannat e Nebiolo. E lá foi o Seu Toninho entregar uma garrafa para amigos, clientes e jornalistas. Assim como fez em 2019, aos 45 anos da empresa, quando foi lançado outro corte, desta vez de Marselan, Alicante Bouschet e Petit Verdot, com pequena passagem em barrica francesa, ele refez seu habitual trajeto e entregou pessoalmente o vinho para diversos formadores de opinião.

Nessas 47 safras, a Dal Pizzol vem mantendo parceria com agricultores de diversas regiões do Rio Grande do Sul, cultivando, além de uvas, muitas amizades. Seus vinhos, todos varietais, nascem de cerca de 15 castas. São vinhos únicos, típicos, sem passagem por carvalho, jovens, modernos e com graduação alcoólica moderada, todos em pequenos lotes. São cerca de 300 mil garrafas por ano.

Toninho era implacável em bem receber. Sempre com uma taça de espumante à mão e um sorriso aberto no rosto, estava a postos com seu chapéu de palha, recepcionando as pessoas. Tinha o hábito de ligar para os amigos todo final de ano e no aniversário, desejando coisas boas. Este ano, ninguém recebeu a sua ligação. Ficam as lembranças, os bons momentos, a simplicidade de onde brotam emoções inesquecíveis. Que o seu último brinde, no dia 27 de novembro de 2020, jamais seja esquecido e que o seu amor pelo vinho brasileiro continue contagiando a todos que se relacionam com a Dal Pizzol.

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