domingo, 12 de janeiro de 2020

A pequena vinícola Tsikhelishvili da Georgia e seus deliciosos vinhos

Uma das vinícolas que visitei na Georgia, em 2019, foi a Tsikhelishvili wines que faz vinhos naturais, com métodos tradicionais. A uvas são produzidas e processadas de forma orgânica e envelhecidas em Kvevris (grandes vasos de terracota).


A vinícola está a uma altitude de 500 m em relação ao nível do mar, próxima ao rio Alazani com belas vistas para as montanhas do Cáucaso. Fica localizada na Vila Alvani, Akhmeta, região de Kakheti. Esta região é historicamente conhecida como o berço do vinho.

No caminho para esta vinícola, paramos para conhecer a bela Catedral Ortodoxa de Alaverdi, que tem uma origem muito antiga. Dizem que antes do cristianismo, o local era um templo pagão e passou a ser uma igreja cristã na segunda metade do séculoVI. Hoje em dia é uma igreja ortodoxa.

A sua ampliação, até o porte atual, ocorreu no século XI. Ela foi danificada e saqueada várias vezes e restaurada no século XV.

Para chegarmos ao local da vinícola, não foi nada fácil e sem o nosso guia, Misho Davitelashvili, provavelmente não acharíamos o local! Nenhuma placa, nenhum número, quase ninguém nas ruas.

A vinícola foi fundado por Aleqsi Tsikhelishvili que aprendeu na infância a fazer vinho com sua mãe. Hoje ele é o único responsável pela produção de uvas e dos vinhos, Vigneron (mevenakhe).
Quem nos recebeu nesta visita além de seu pai , foi o rapaz Beso que nos ajudou bastante com a conversa em inglês.

A primeira safra comercial de Aleqsi foi produzida em 2009. Sua família mantém as mesmas videiras desde o período soviético. Os vinhedos antigos são plantados com as clássicas variedades: Rkatsiteli e Mtsvane, brancas e menos de 100 videiras de Jgia, uma variedade tinta, quase extinta.


Nos seus 2,5 hectares, ele produz de 4.000 a 5.000 garrafas por ano, cerca de 200 são Jgia. O cultivo é orgânico e todas as frutas são cultivadas de forma natural. Para reter a umidade do solo na época mais quente, Aleqsi não corta a grama entre as parreiras. Os únicos tratamentos nas parreiras são: o uso de enxofre e cobre. Todo o trabalho desde o campo à colheita e a colocação das uvas no kvevri são manuais.


Durante a fermentação primária natural (sem adição de leveduras), o mosto é regularmente movimentado com ferramentas rudimentares.

Quando termina a fermentação, os kvevris são selados e tampados e o vinho fica sobre as cascas por um período de 6 a 7 meses. Depois disto o vinho é separado da casca e fica descansando no kvevri por um período variável de 6 meses para a cepa Jgia (2016) e de 18 meses para a Rkatsiteli (2015). Os vinhos completam a fermentação malolática e são engarrafados sem filtragem e adição de sulfito.

Os vinhos Tsikhelishvili são obras-primas talhadas à mão, vinhos feitos para serem bebidos mais para a mente do que o corpo. Aleqsi parece um simples fazendeiro com seus meios modestos, mas seu trabalho mostra o coração do artista e o toque do alquimista. Isto é melhor compreendido através do seu vinho Jgia. Esta é uma uva esquecida, que nas mãos de seu intérprete mais sensível, faz do vinho, uma história de amor. Os vinhos Tsikhelishvili são exoticamente perfumados e bem torneados e contam com mais nuances do que força.


Aleqsi preparou para nos receber, uma mesa com um embutido preparado por ele, além de pão e queijos para acompanhar os vinhos. Assim começou a prova de vinhos. Os vinhos em geral levam nome da cepa utilizada.


Começamos a prova pelo branco Mtsvane 2016, feito por uma uva de cor esverdeada, que resulta num vinho aromático, frutado e equilibrado. O vinho tem um tom amarelado intenso, é seco, com taninos perceptíveis, acidez marcante e toques de damasco seco.


Continuamos pelo Rkatsiteli 2016. Um vinho mais escuro, da cor âmbar, com um tanino marcante, balanceado por uma acidez intensa. Os aromas são de caramelo, mel e damasco.


O raro vinho da cepa Jgia 2016 tem cor de framboesa brilhante e muito translúcida, com um pouco de halo. No nariz ele é levemente mofado, com aromas de cogumelos, alguns tons frescos de groselha, um pouco de solo arenoso e uma pitada de umidade. O vinho é maduro, moderadamente encorpado e levemente adocicado, com sabores de morangos doces,  terroso, com alta acidez e tanino bastante perceptível.


Depois da degustação, passeamos pela propriedade onde vi o destilador que a vinícola usa para fazer sua Chacha (fermentado da casca da uva. Tipo grappa).


Esta experiência de conhecer uma pequena vinícola foi interessante pois nos fez perceber  idéia d empenho e a dificuldade por que passam estes produtores, que colocam suas vidas para produzir o que sabem fazer de melhor!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

A vinícola da Georgia Marani Casreli e seus vinhos de alta qualidade e personalidade

Quando decidi visitar a Georgia, para conhecer seus vinhos, comecei pesquisando produtores no Facebook. O primeiro que encontrei foi Misha Dolidze, que muito me ajudou a planejar minhas visitas naquele país.

A maioria dos produtores da Georgia divulgam seus produtos pelo Facebook e não tem sites, o que dificulta um pouco a comunicação.

A minha intenção era a de conhecer desde os vinhos feitos pelas famílias, para consumo próprio, o que é bem comum neste país até os vinhos de um grande produtor.

Como eu já esperava, foi muito mais interessante visitar os produtores menores. Fui recebido pessoalmente por eles e convidado a desfrutar de suas casas e de seus estilos de vida. Para visitar o  grande produtor, contei com a ajuda de uma executiva local que me acompanhou na visita, apesar de ser gentil, não conseguiu tirar algumas dúvidas minhas.

Misha Dolidze me forneceu uma lista de sugestões de produtores locais e eu  consegui contato com alguns deles e outros nem responderam.

Misha marcou conosco à noite na sua vinícola, Marani Casreli, junto com seu sócio Vaja. Durante o dia ele entregou vinhos para um importador e ao anoitecer, mesmo cansado, seu entusiasmo e humor estavam ótimos! Assim ele nos recebeu!

Ele estava orgulhoso, pois apesar de ter iniciado suas atividades em 2014, já acumulava uma série de prêmios por seus vinhos.

Eles nos ofereceram uma mesa preparada com seu supra (banquete), com queijos de diversas regiões da Georgia, pimentões e tomates grelhados, uma deliciosa beringela enrolada em uma pasta de nozes e especiarias (badridjane), carne assada e nozes. Serviram também seu doce típico, feito com nozes e coberto comuna mistura de suco de uva e flor seca, que parecia uma linguiça, por causa de seu formato.

Conversamos naquela noite sobre muitas coisas e entre elas sobre as invasões russas na Geórgia e os casos de demonstrações de violência e mortes, que até chegou a deixar o rio de Tblisi vermelho de tanto sangue.

Misha me mostrou seus Kvevris limpos, prontos para receber a nova colheita que estava para começar. Ele me explicou que cada tipo de uva fica um tempo em contato com a casca no kvevri. Em seguida o vinho é transferido para outro jarro e a casca é retirada. Ali ele envelhece e vai para os tanques de inox na hora de ser engarrafado.

A vinícola Marani também  produz sua Chacha, com as cascas de uvas que  restam. A Chacha é um tipo de grapa com teor alcoólico de 55%, gostosa, porém uma bomba alcoólica!

A produção de vinhos ali é de 5.500 garrafas por ano, devendo este ano passar a 10.000 garrafas.

Fizemos nesta visita uma prova dos vinhos da safra 2018, cada um acompanhado de uma saudação: à amizade, à liberdade, aos visitantes, à Georgia, Brasil e a tudo mais de bom. Foram eles:

Rkatsiteteli - Mtsvani, Amber Dry, com 14% de álcool. As duas cepas (70% Rkatsiteteli e 30% Mtsvane) são esmagadas juntas e vão para o Kvevri, onde ficam com as cascas por 4 meses. A cepa Rkatsiteteli faz um vinho profundamente frutado, com taninos marcantes, acidez moderada e com aromas de caramelo, mel e laranja seca. A cepa Mtsvani é mais leve e tem maior acidez e e aromas de ervas e tem a característica de suavizar o vinho.

Khikhvi, com 14% de álcool. A uva é esmagada no kvevri e fica em contato com a casca por 6 meses. O vinho apresenta aromas de frutos silvestres, um toque mineral, sabores de frutas secas e damasco, além de um tanino marcante.

Mtsvane - Kisi, das cepas do mesmo nome. A uva Mtsvane confere ao vinho, uma cor de grapefruit, que logo aparece durante a fermentação. Esta uva traz caracteres de damasco. A cepa Kisi traz aromas florais para o vinho, além de sabores de damasco, lima, laranja e nozes. É um vinho intenso, seco, com forte personalidade. Muito aromático, com taninos marcantes.

Chitstvala (olho de pássaro), das cepas Tetri Chitstvala(45%) Kisi (30%) e Rikatsite (25%). É um vinho denominado âmbar seco. Ele é bem seco, com presença marcante de taninos, cítricos e ervas, além de aromas de incenso. É um vinho equilibrado que deve ainda evoluir muito.

Provamos também sua deliciosa Chacha, para terminar aquele banquete.

Este produtor tem uma forma diferente de indicar quantas uvas são utilizadas no vinho. Ele coloca um recorte em formato de Kvevri no rótulos para cada cepas usada.

Na saída,  ganhamos ainda uma garrafa de cada um destes 4 vinhos e outra de chacha, que trouxe ao Brasil, para provar com grupos especialistas em vinho.

Esta com certeza foi uma visita excepcional, onde conheci mais um pouco dos vinhos da Geórgia e seu povo maravilhoso.

Aproveito para contar um pouco da história da vinícola:

A Marani Casreli vinícola de Misha, foi fundada em dezembro de 2014,  por 5 médicos. A vinícola produz vinhos naturais exclusivamente à partir de uvas de suas vinhas orgânicas, plantadas em abril de 2015, em terroirs selecionados especificamente.

Após a primeira colheita em 2016, foram produzidos 3 tipos de vinhos: 1)Kisi vinho varietal, da cepa Kisi (recebeu a classificação Bronze na competição internacional de vinhos Kvevri). 2) Mtsvivani, varietal da cepa Kakhuri Mtsvivani (recebeu a classificação prata no Concurso Internacional do Vinho Kvevri). 3) Chitistvala, mistura das cepas Tetri Chitstvala, Kisi e Rkatsiteli (33,33% cada) (recebeu a classificação ouro no Concurso Internacional de do Vinho Kvevri, degustação da Decanter).

Após a segunda colheita, em 2017, foram produzidos 6 tipos de vinhos: 1) Kisi - vinho varietal da cepa Kisi. 2) Mtsvivani varietal da cepa Kakhuri Mtsvivani. 3) Chitistvala, mistura das cepas: Tetri Chitstvala, Kisi e Rkatsiteli (33,33% cada). 4) Khikhvi-Kisi, mistura das cepas Khikhvi e Kisi (50% cada).  5) Mtsvane-Kisi, mistura das cepas: Kakhuri Mtsvane e Kisi (50% cada). 6) Erekle mistura das cepas: Rkatsiteli, Kisi, Khikhvi e Kakhuri Mtsvane (35, 35, 15 e 15%, respectivamente).

Marani Casreli produz vinho âmbar usando apenas a tecnologia tradicional da Georgia: maceração prolongada da pele em Kvevri. A tecnologia é baseada em fermentação e refinação naturais, com pouco ou nenhum sulfito.

O contato com o produtor pode ser feito pelo telefone 995 577 119101, ou casreliwine@gmail.com.
A maioria dos produtores que tem exportação trabalham também através de importadores nos EU.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Um dia em Moscou dá para sentir sua grandiosidade

Em 2019, iniciei uma viagem no final de agosto para Moscou, uma vez que nunca tinha estado na Rússia. Para chegar lá ,não existe voo direto e levei por volta de 24 horas para chegar, ainda por cima com 5 horas de diferença de fuso horário, fazendo escala em Madri.

O aeroporto de Moscou é pequeno e a maioria das placas ali são apenas em russo, língua e escrita indecifrável! Percebi que a aventura tinha começado!

Troquei um pouco de dinheiro no aeroporto, pois, em geral é onde tem o pior câmbio.

Fui até o balcão de taxi e depois de toda dificuldade de comunicação, vi que custaria US$120 para chegar no nosso hotel. Descobri que podíamos tomar o trem e lá fomos, carregando malas até o terminal. onde ele parava. O trem para o centro é moderno, leva uns 30 minutos até o metrô e custa por volta de US$10 por pessoa.

Chegamos numa estação de metrô (Domodedovskaaya) e como já havia pesquisado no google, descobri que esta estação era mais próxima do hotel (peguei a Linha 2 até Teatral Naya).  Ao sair do metrô, tentei um taxi, mas como estava próximo ao hotel, ninguém aceitava a corrida e assim continuamos puxando as malas a pé, até o hotel.


Ficamos no hotel Kamergersky, que está numa rua atrás do teatro Bolshoi. Lá descobri que não havia escada e que nosso quarto ficava no 3º andar. Felizmente conseguimos um carregador para levar nossas malas. O hotel fica na Kamergersky Lane 6/5 Bld 3 Fone (ooXX7) 9150123255. Ele custou  US$112 por dia, sem café da manhã. O hotel era muito bem localizado, perto do Kremlin e dos principais pontos turísticos. Seu único defeito era o de não ter elevador.

Com o ship internacional (só de dados), que compramos no Brasil, por mais de US120, e o senhor google maps, além do mapa na mão, seguimos pela cidade para fazer o primeiro reconhecimento local e também uma refeição, pois no vôo da Ibéria de Madri à Moscou não serviram nem água.

Passeamos pela avenida Tverskaya e vimos várias lojinhas de souvenir, entre eles as bonecas matrioskas, aquelas de madeira pintada, que contém uma dentro da outra. Conforme o tamanho e qualidade da pintura, o preço delas ia subindo, chegando a valores por volta de US$ 200.

Encontramos algumas lojas, que pareciam de jóias, especializadas em caviar. O caviar do peixe esturjão, encontrado nos mares do oriente, estava a preço de ouro! Um vidrinho custava por volta de $400.

Procurei alguma lembrança do período comunista, para levar para minha irmã (típica moça dos anos sessenta), mas não encontrei nada. Parecia mesmo que quiseram apagar todos vestígios daquela época.

Moscou nos impressionou pela sua grandiosidade, largas avenidas, carrões e motos do último tipo, bancos, hotéis de luxo, lojas de grife internacional, igrejas e jardins pelo centro da cidade.


O nosso jantar deste dia foi na esquina do hotel, no Baphn4hAR (ou qualquer coisa parecida), especializado em varenik, comemos ali uma trouxinha cozida, recheada de ovas. A vodka estava ótima!


Provamos também um strogonoff, feito com tiras de carne frita e um molho claro de creme azedo. O nosso é muito melhor!


Descobrimos uma boulangerie próxima ao hotel e compramos croissant, doce de figo seco, um prensado de sementes e laranja confitada com chocolate, que estavam ótimos!


Saímos no dia seguinte em direção ao Kremlin, passando pelo jardim Alexandrovsky, com muitas flores e fontes. Descobrimos que quinta feira o Kremlin não abre. Demos então uma longa volta ao largo do Kremlin, passando pelo rio Moscou até a belíssima catedral de San Basilio.


Esta catedral parece um brinquedo ou um doce, pois é toda colorida e cheia de torres retorcidas, como num conto de fadas.


Reza a lenda que quando a obra acabou, Ivan o terrível cegou o arquiteto para que ele não construísse outra obra prima como esta.


Dentro dela (tem ingresso para entrar) tive a impressão dela ter sido construída em partes, pois tem várias salinhas interligadas, cheias de ícones russos (pintura religiosa). Numa das passagens tinha um grupo cantando música gregoriana, um espetáculo emocionante!


Ela é toda pintada por dentro com lindos motivos bizantinos e arcos. Ela é uma catedral ortodoxa, construída em 1.555 e fica no centro geométrico da cidade.


O controle de segurança parece forte na cidade, pois para entrarmos na área da catedral e praça vermelha, tínhamos que passar por detectores de metal.


Nesta mesma área fica o luxuoso Gum, um shopping de luxo, onde, além de lojas de grife, tem uma delicatessem incrível com tudo que é perdição para gulosos: caviar, vinhos russos, chás, chocolates, tortas, pães, geléias, frios, queijos, etc…


Mais tarde, indicado pelo hotel, fomos jantar no restaurante Bolshoi, que fica atrás do teatro do mesmo nome.


Tentamos de novo provar o strogonofe e também pedimos pombo com molho de groselha e caviar branco com blinis e creme azedo. Os pratos estavam corretos.

Voltamos ao teatro Bolshoi com sua fonte e praça, para tirar fotos de noite, com tudo iluminado e  assim terminamos o primeiro dia em Moscou.

Miolo revela quarta edição da Coleção dos Sete Lendários

Safra 2023 dá origem a sete vinhos ícones que expressam o melhor de quatro terroirs brasileiros onde o grupo firmou suas raízes. O lançament...