domingo, 22 de setembro de 2013

Vinhos da Barrières Freres, de Bordeaux


A World Wine promoveu um jantar harmonizado com vinhos da Barrière Freres, que é uma casa comercial de Bordeaux, fundada há quase um século.

Barrière Freres é proprietária das vinícolas: Beychevelle e Château Beaumont.


As adegas destas propriedades ficam no coração do Medoc.

A empresa negocia também os principais vinhos de diversos países, inclusive da França, destas regiões: Medoc, Saint Emilion, Sauternes, Pomerol, Graves e Pessac Léognan.

O evento da World Wine ocorreu no empório e restaurante Eat, que fica na Vila Olímpia.


Assim transcorreu o jantar:

Entrada:
Brandade de bacalhau com tapenade de azeitonas. Para acompanhar o prato foi servido o vino Granda Bateau Blanc 2011.

Como primeiro prato tivemos:
Papardele ao ragu de coelho acompanhado dos vinhos Grand Bateau Rouge 2010 e Les Brulières de Beychevelle 2010.

O segundo prato foi:
Paleta de javali em seu jus, com mousseline de mandioquinha, juntamente com os vinhos: Admiral Beychevelle 2008 e Les Clés de Pape Clément 2008, das cepas Merlot e Cabernet Sauvignon.

Como sobremesa foi servida:

Espuma de mascarpone com calda de frutas vermelhas e chips de massa folhada. O vinho que acompanhou foi o húngaro Château Pajzos Late Harvest Hárslevelü.

Os pratos estavam muito bons e os vinhos, sim,  harmonizaram com eles.

Quanto aos vinho tenho a dizer:


Tanto o Grand Bateau Blanc como o rouge, que custam R$69,00, apresentaram uma excelente relação custo benefício. O branco é das cepas Semillion e  Sauvignon Blanc. O Granda Bateau Rouge é feito das cepas Merlot e cabernet Sauvignon.

Les Brulières de Beychevelle são vinhos mais estruturados, das cepas Cabernet Sauvignon e Merlot. Preço R$177,00

Admiral de Beychevelle é o segundo vinho do Châtaeau, feito com as cepas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet franc e Petit Verdot. É um bom vinho, redondo, equilibrado, com bons taninos. Ele passa 18 meses em barrica.

Les Clés de Pape Clément é o segundo vinho da vinícola, das cepas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot. É pleno na boca, aveludado com bons taninos. Seu preço é de R$252,00.

Château Pajzos late Harvest Hárslevelü se mostrou um bom acompanhamento para a sobremesa, oferecendo uma ótima relação custo / benefício, R64,00. Ele é uma boa alternativa aos caros Tokajis.


O local do evento é sempre muito agradável e tanto a degustação, quanto a refeição foram muito bons.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Top Tasting Itália


Participei do Top Tasting Itália, muito bem organizado por Cristina Neves, Organização de eventos (http://www.cristinaneves.com.br/).

Este ano, como tem sido o ano da Itália, foram feitos muitos eventos de alto nível, com excelentes vinhos para o conhecimento dos formadores de opinião sobre eles.


A apresentação deste evento foi feita no Hotel Meliá, à rua João Cachoeira.

Muitas novidades foram apresentadas, inclusive a utilização de uvas Marsala em vinhos brancos secos. Normalmente esta uva é usada para vinhos doces.

Participei de duas Masterclass, sendo a primeira de produtores sicilianos e a segunda de produtores do restante da Itália.


A primeira Masterclass foi apresentada por representantes das próprias produtoras dos vinhos. Este grupo de 6 produtores é denominado Xwine Sicilian Wine Talents.

A  Sicilia produz vinhos, desde a época dos gregos. Seu terroir muda praticamente a cada metro, permitindo a produção de vinhos muito diferentes num mesmo território.


O primeiro vinho apresentado foi o Podere 27 VSQ Millesimato Método Clássico 2010, da Azienda Agricola Pupillo, que fica próxima a Siracusa, no extremo sudeste da ilha. Ele é feito da cepa Moscato Biancoe tem um tom amarelado, pouca perlage e aromas intensos. Particularmente não me agradou.


A Pupillo trouxe também o bom Cyane IGT Sicilia Bianco 2011, da cepa Moscato. É um vinho que recebeu a classificação 2 bicchieri GR e 90 RP. É um vinho muito interessante, pois é trata-se de um branco seco da cepa Moscato. Custa 5,2 euros na Itália.


A Alcesti, que fica no extremo leste da ilha, trouxe o Edesia Grillo Sicilia DOC 2012, com boa fruta cítrica e boa acidez.


A Cantine Fina apresentou o Kikè IGT Sicilia 2011, da cepa Marsala, com aromas cítricos. Na boca ele é fresco e frutado, com boa acidez.


A Alcesti iniciou então a apresentação dos vinhos tintos com o seu Admeto Syrah IGT Sicília 2010, um vinho bem agradável, com aromas de violeta e cereja. Este vinho recebeu a classificação 1 bicchieri GR e é importado pela Mercovino (fone: 3841-9448).


A Cantine Fina mostrou seu Caro Maestro IGT Sicilia 2005, das cepas: Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot. Este vinho é muito bom, com características mais complexas.


A Cantine Intocia trouxe o vinho Marsala Superiore GD DOP Sicilia 2003, um vinho doce, muito equilibrado.

O representante desta vinícola contou uma interessante história:

“Os ingleses foram os descobridores do vinho Marsala doce. Como o transporte de vinhos era feito por navio, num longo percurso, decidiram adicionar então, álcool para conservar o vinho. Quando provaram o vinho na Inglaterra, gostaram tanto do vinho com álcool, que passaram a comprar o marsala desta forma.”


Do mesmo produtor tivemos o Marsala Vergine Riserva DOP Sicilia 1980, retirado de uma única barrica. Este é um vinho raro, mais seco e muito bom. Custa 30 euros na Itália.

A Bianchi mostrou a boa Grappa di Sicilia Barrique e o vinho Amaro Segesta que é suave, equilibrado, sem excesso de amargor.

Muito dos vinhos, sicilianos apresentados, utilizavam várias cepas não autóctones.
Acredito que esta modernidade tenha a influência dos produtores que são jovens.


Parti então para a segunda Masterclass que apresentou os vinhos vindos de outras regiões da Itália.
Os produtores são:


Le Marchesine, da Lombardia, com o FranciacortaDOCG Brut, das cepas Chardonnay, Pinot Bianco e Pinot Nero, bom, feito pelo método clássico e importado pela Sicilianess (fone: 2372-7530).


A Cantine Antonio Caggiano, da Campânia trouxe o bom Fiano di Avellino DOCG Béchar 2011, da cepa Fiano. Ele é importado pela Casa Flora (fone: 2842-5199).


A Forteto dela Luja, do Piemonte, apresentou o Monferrato Rosso DOC Le Grive 2009, das cepas Barbera e Pinot Nero. Ele é Importado pela Tahaa por R$192,00 (fone: 5096-3282). Bom vinho.

Grifalco, da Basilicata, trouxe o excelente Gricos Aglianico del Vulture DOC 2007 da cepa Aglianico. O vinho apresentou um tanino intenso. Ele é importado pela Tahaa por R$298,00.

Monte Schiavo, do Marche, serviu o bom Adeodato Marche IGT Rosso 2009 da cepa Montepulciano.


Rocca di Fabbri, da Umbria, mostrou o delicioso Montefalco Rosso DOC Riserva 2008. Ele é feito com as cepas Sangiovese (65%), Sagrantino (15%) e outras. É importado pela Tahaa.


Villa Medeoro, do Abruzzo, apresentou o bom Montepulciano d’Abruzzo DOCG C.T. 2008. Ele é importado pela Tahaa, por R$167. Foi classificado com 3 bicchieri GR e 90 WS.


Logonovo, da Toscana, serviu o bom Toscana IGT Rosso Cinqueper Logonovo 2010, das cepas: Sangiovese 54%, Merlot 24%, Petit Verdot 7% e Sagrantino. Ele é importado pela Wine to Go por R$74,59 (fone: 2013-2014).


Conti Zecca, Puglia, trouxe o bom Nero IGT Salento Rosso 2007, das cepas: Negroamaro (70%) e Cabernet Sauvignon. Ele é importado pela Viníssimo (fone: 4195-5554) por R$437,82.


Villa Matilde, da Campânia, veio também com o belo Falerno del Massico DOC Camarato 2005. Ele é importado pela Vinissimo por R$407,96.


Speri, do Veneto, trouxe o bom Valpolicella DOC Clas. Superiori Sant‘Urbano 2008, das cepas: Corvina 70%, Rondinella 25%, Molinara e Corvinone. Ele é importado pela Vinissimo por R$187,00.


A Podere del Paradiso, da Toscana, mostrou o bom Saxa Calida IGT Toscana Rosso 2006, das cepas: Merlot 50% e Cabernet Sauvignon. Importado pela Casa Flora.


A Damilano, do Piemonte, apresentou o divino Barolo DOCG cinquevigne 2006, importado pela Vinea (fone: 3059-5200), por R$345,00.


A Azineda Agricola La Velona, da Toscana trouxe o bom Brunello di Montalcino DOCG 2006. Ele é importado pela Tahaa por R$298,00.


Finalmente a Trabucchi d Illasi, do Veneto, apresentou seu ótimo Amarone dela Valpolicella DOC Riserva Cent’anni 2005. Ele é importado pela Verdemar por R$185,00.


Depois de todas estas excelentes Masterclass, fui degustar no evento alguns vinhos que não tinham sido apresentados até então.


O evento foi de alto nível e trouxe bons vinhos brancos que ofereciam  uma boa relação custo/benefício.


Os tintos surpreenderam pela sua modernidade, com preços compatíveis com sua qualidade.


O Top Tasting foi essencial para ampliar meu conhecimento de vinhos italianos!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Visita ao Château Haut Brion


Como eu estava na região sudoeste da França, resolvi conhecer a cidade de Bordeaux e algumas vinícolas de primeira linha da região. Escolhi inicialmente o Chateau Haut Brion, que fica na região de Pessac-Léognan, praticamente dentro da cidade de Bordeaux.


O Chateau é de propriedade da família americana Dillon, desde 1935 e se estabeleceu na região no século XVI. Era dele o único vinho, fora da região de Medoc, classificado como premier cru em 1855. O vinho do Chateau também foi o primeiro de Bordeaux a ser exportado para a Inglaterra.


O Chateau adotou sempre as tecnologias de vanguarda. Foi o primeiro que introduziu, na região, as cubas de aço inox para a produção de vinhos.


A família Clarence Dillon possui ainda, mais três propriedades: La Mission Haut-Brion, próximo à Haut brion, Clarendelle, que fica na região de Mombasillac e Chateau Quintus em St Emilion.


O vinhedo do Chateau Haut Brion tem 45 ha e suas uvas são as primeiras a amadurecerem na região. Com a generosa ajuda da Merlot, o vinho fica menos austero que os produzidos em Medoc.


A proporção das cepas plantadas no Chateau são: 45% de Cabernet Sauvignon, 15% Cabernet Franc e 40% Merlot. A cepa Cabernet Sauvignon é a mais resistente às intempéries, enquanto a Merlot é mais afetada pela geada da primavera.


O Chateau produz ainda um vinho branco seco, generoso e rico, em quantidades mínimas.


A produção de um Grand cru ali vem da convergência dos fatores humanos e da natureza. É o resultado de um casamento, em que, graças à virtual paciência do empirismo, nada é predominante ou virtual, mas tudo é essencial .


A história da região de Bordeaux data do terceiro século A.C., quando uma vila foi fundada por tribos de celtas.


Durante o domínio romano, no século I, foram autorizadas plantações de uvas na região.


O nome Haut-Brion deriva do termo celta “briga”, mas também se refere a uma montanha fortificada.


Os primeiros registros de vinhos do Château foram em 1660.



A visita:

Praticamente nem saímos de Bordeaux e já chegamos no Chateau Haut Brion, uma imponente propriedade, cuidada com esmero.


Fomos recebidos pela simpática Sra. Turid Hoel Alcaras, responsável pelas relações públicas e recepções, que deu uma ótima explicação sobre a propriedade, inicialmente com base em uma maquete.


Começamos a visita pela área onde ficam as cubas de aço inox. Eu já havia notado uma particularidade nas cubas, que apareciam em corte na maquete. Existia, dentro das cubas, uma chapa inclinada com furos.


Turid me explicou que quando as uvas são colocadas dentro da cuba, o suco passa pelos furos da chapa, ficando separado do restante do mosto. O suco é retirado por baixo e  o restante do material através da porta da cuba.


As primeiras uvas a serem colhidas e selecionadas manualmente são as Merlot. Elas são selecionadas, separadas dos engastes e sementes e encaminhadas para as prensas. Em seguida são colocadas nas cubas de aço inox.

A seleção das uvas é feita ainda no campo, sendo descartada toda uva que tiver algum defeito.

As grandes safras podem ser reconhecidas quando ocorre um pequeno sobre amadurecimento da uva e sua pele fica mais fina.

Passado pelo processo de desengaste, as uvas vão para a prensa e depois para as cubas de inox, com controle de temperatura.

Dentro da cuba, a fermentação ocorre livre do oxigênio, pois é usado gás inerte, azoto. Durante o processo não são adicionadas leveduras, pois elas já estão presentes na casca da uva.

Concluída a fermentação, quando o açúcar se transforma em álcool, o vinho é colocado em barricas de carvalho, para seu envelhecimento.

Os vinhos ficam em barricas novas pelo período de 20 meses.

Durante este período os sedimentos ficam no fundo do barril, cujo vinho é analisado semanalmente.

As salas, de armazenamento dos barris e dos vinhos em garrafa, tem controle de temperatura, para garantir um bom envelhecimento da bebida.

Finalmente o vinho é retirado, sem os sedimentos e engarrafado, quando se inicia o processo de envelhecimento na garrafa.

O Instituto da Universidade de Enologia de Bordeaux classifica os vinhos levando em conta: sabor, acidez, amargor, adstringência e sal.

Os vinhos mais simples, provenientes das parreiras mais novas, são os primeiros a serem produzidos.

Visitamos o laboratório da Haut Brion, bem aparelhado, onde o químico do Chateau trabalha e aproveitamos para sanar nossas dúvidas.

Interessante foi conhecer a área de tonelaria. O especialista estava lá montando com maestria, alguns barris. Apesar de tímido, mostrou-nos  suas habilidades naquela arte.

Partimos em seguida,para a área de degustação, que fica em cima de uma linda capela.

Os vinhos provados, da safra 2008 foram:

Château Haut-Brion Blanc: fermentado em cascos de madeira, com maturação de 9 a 12 meses, das cepas: Semillion e Sauvignon Blanc na mesma proporção, com um toque de Sauvignon Gris. Rico em aromas cítricos, revelou ainda aromas de frutas, como pêssego e maçã. Agradável no palato, com boa estrutura e acidez. Delicioso.

La Chapelle de la Mission Haut-Brion: produzido com as cepas: Merlot (42,7%), Cabernet Franc (10,3%) e Cabernet Sauvignon. Fica por 18 a 22 meses em barricas de carvalho francês, 80% novas.

Château La Mission Haut-Brion: produzido com as cepas: Merlot (42,7%), Cabernet Franc (10,3%) e Cabernet Sauvignon. Fica por 18 a 22 meses em barricas de carvalho francês, 80% novas. Os aromas eram de frutas vermelhas, como cerejas negras. Na boca ele é sedoso, macio, com taninos delicados e persistentes.

Le Clarence de Haut-Brion, segundo vinho da casa, que recebe os mesmos cuidados do primeiro vinho da casa: Ele fica de 18 a 22 meses em barrica, sendo 20 a 25% de primeiro uso. Os taninos são bons e persistentes, aromas de cereja negra e terra, com ervas tostadas. É um vinho maravilhoso, estando mais pronto que o top da casa.

Chateau Haut-Brion Grand Cru Classé: das cepas: Merlot (41%), Cabernet Sauvignon (50%) e Cabernet Franc. Os aromas se mostraram de grande complexidade tais como: aromas de fumo, chocolate, tostado e cedro. Na boca os taninos são sedosos, com excelente persistência. Na boca o vinho é seco, com taninos finíssimos, muito persistentes e elegantes. Este vinho fica por um período de 18 a 22 meses em barrica, sendo 80% de primeiro uso. Este foi o ápice da degustação. Um vinho maravilhoso, aliás uma experiência imperdível!

Perguntamos à nossa cicerone se podíamos comprar algum vinho e ela nos falou que toda a produção era vendida a “negociants” que, por sua vez, revendiam às lojas. Fomos então a Bordeaux, a uma loja por ela indicada, quando descobrimos que lá, o top da vinícola custava 700Euros. Desisti então da compra.

A visita, que durou meio dia, foi maravilhosa, graças à nossa simpática e gentil anfitriã!
Uma experiência única!
Voilá!


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