Um dos meus objetivos, da viagem à Portugal de 2018, era conhecer a Niepoort e participar da pisa de uvas em lagar.
Esta vinícola é uma empresa familiar de longa data, foi fundada em 1842, por Franciscus Marius Niepoort. Cinco gerações se sucederam desde que ele fundou a empresa, que está agora sobre o comando de Dirk, desde 2005.
Dirk descobriu o mundo do vinho durante os seus estudos na Suíça.
Em 1987, Dirk juntou-se ao seu pai, Rolf Niepoort, na empresa familiar e foi desafiado a inová-la, mantendo as boas tradições. O primeiro passo importante foi a aquisição de vinhas próprias: a Quinta de Nápoles e a Quinta do Carril no Cima Corgo, uma região que tradicionalmente produz Vinhos do Porto.
Nas Caves de Vila Nova de Gaia é feito o armazenamento do Vinho do Porto, seu blend, envelhecimento, engarrafamento, rotulagem e expedição.
A QUINTA DE NÁPOLES foi comprada em 1987e inclui cerca de 30 hectares de vinhas localizadas a uma altitude de 80 a 250 metros, com idade que varia dos 26 a mais de 80 anos. Esta Quinta fica na margem esquerda do rio Têdo e é ali que a Niepoort faz os vinhos tintos, rosés e brancos.
O antigo museu em VALE DE MENDIZ foi comprado pela Niepoort em 2003 e convertido num centro de vinificação exclusivo para os Vinhos do Porto.
A separação da produção de Vinho do Porto se dá em dois centros de vinificação, de forma intencional. Isto permite processos dedicados e otimizados para Vinhos do Porto e Vinhos do Douro.
A Niepoort também tem uma propriedade na Bairrada; a Quinta de Baixo, no Dão; a Quinta da Lomba e no Minho.
Além de vinho do Porto, a Niepoort produz o Moscatel do Douro, na região de Favaios, com a cepa Moscatel Petit Grains.
Saí da cidade de Peso da Régua e segui Douro acima, até o rio Tudo, quando vi as belas plantações da Niepoort, nos socalcos (planos feitos em encostas íngremes onde são plantadas as parreiras) das encostas e vistas para o rio.
Junto à um grupo de Ingleses, fomos guiados por um canadense que, nas suas férias trabalha para a Niepoort.
Começamos visitando uma adega subterrânea, onde é guardada uma coleção de vinhos da Niepoort.
Fomos para a adega, onde recebemos explicação sobre os processos de produção e participamos da experiência única, que é provar vinhos em vários estágios de produção.
Numa área da adega existiam algumas ânforas e fomos informados que ali estavam produções de vinhos ainda em fase experimental.
De uma ânfora , saiu uma moça tinta pelo mosto, que fazia, de tempos em tempos, a pisa deste mosto. Como ela era baixinha e muito simpática perguntei brincando se ela não tinha medo de se afogar nas ânforas. Ela sorriu. Podia até ser uma boa forma de morrer numa boa!
A fermentação de alguns vinhos é feita em cubas de inox. Podíamos ver o vinho fermentando em borbulhas.
As salas de barris eram uma enormidade, repletas de todos tipos de barricas, muitas manchadas de vinho.
Voltamos para a área de recepção, onde havia um terraço, com uma linda vista do rio sinuoso e de uma imensidão de parreiras!
Podíamos ver as rochas deste terreno numa escavação. As rochas eram tão compactadas e densas que para que se cultivasse vinhas nelas, seria necessário dinamitá-las para abrir espaço para a videira.
Como se não fosse suficiente a visita, fui gentilmente convidado a participar de um almoço, com harmonização com vinhos, produzido na Quinta de Nápoles.
O almoço começou com os deliciosos bolinhos de bacalhau, uma sopa de legumes, seguida de arroz de pato.
Uma variedade de queijos portugueses não faltou neste almoço, que terminou com uma Creme Cheese com frutas vermelhas.
Os vinhos que acompanharam a refeição complementaram a experiência gastronômica em alto estilo:
Redoma Reserva Branco 2017, proveniente de vinhas velhas, ele é elaborado a partir de várias castas, sendo as mais importantes a Rabigato, Códega, Donzelinho, Viosinho e Arinto. O vinho fermenta e estagia em barricas de carvalho francês, é fresco e elegante, mostrando na boca uma acidez vibrante com grande volume e intensidade, frutado, complexo, com notas minerais e a madeira muito bem integrada.
Redoma Rosé, que tem um um carácter muito próprio. Contrariamente ao típico processo de vinificação do rosé, o Redoma Rosé é fermentado em barricas novas de carvalho francês depois de ser obtido o mosto de gota (obtido do primeiro esmagamento da uva). Muito vivo e elegante no nariz, com fruta vermelha e especiarias, com tosta de madeira muito bem integrada.
Vertente Tinto 2018, que é um vinho equilibrado, com grande frescura; mostra-se muito apelativo, com fruta muito fina e elegante, taninos suaves presentes, com final muito persistente e intenso. É um vinho fresco, muito mineral e expressivo, cor rubi carregada e notas de frutos vermelhos.
Robustus 2008, que é vinificado de acordo com os métodos usados na produção dos vinhos tradicionais. O longo estágio em tonel de madeira antiga, imprime maturidade, complexidade, amacia os taninos e confere ao vinho precisão e equilíbrio, sem perder todo o vigor e a frescura aromática. O Robustus provém das vinhas mais velhas. Enfim, é um vinho espetacular, com aroma profundo, complexo, austero e com várias camadas. Mostra no copo uma frescura e mineralidade. O equilíbrio é notável, embora muito encorpado e com bom volume de boca, os taninos finos e o longo estágio em tonel.
Porto Towny 10 anos, com envelhecimento em pequenas pipas de carvalho confere-lhe a sua característica cor alourada. O vinho tem uma complexidade de aromas, a frescura, o "bouquet" persistente e o refinamento.
Terminada esta excelente visita, fomos para a Quinta do Carril, no Cima Corgo,a fim de viver a experiência de pisar em uvas.
Esta será uma nova história!
Aproveitem as experiências que venho vivendo, enquanto procuro conhecer melhor o mundo dos vinhos. Também vou falar da gastronomia e de viagens pelo mundo, incluindo as principais regiões produtoras de vinho. Saúde! E boa leitura!
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
Guimarães, onde Portugal começou!
De Madri pegamos um voo para a cidade do Porto e de lá um carro para chegar à Guimarães, que fica na província do Minho.
Guimarães é uma cidade histórica, com um papel crucial na formação de Portugal, e que conta já com mais de um milênio desde a sua formação, quando era designada como Vilamares.
Guimarães é uma das mais importantes cidades históricas do país, sendo o seu centro histórico considerado Património Cultural da Humanidade. A cidade é um dos maiores centros turísticos da região. As suas ruas e monumentos respiram história e encantam quem a visita.
Guimarães é muitas vezes designada como "Cidade Berço", devido ao fato de aí ter sido estabelecido o centro administrativo do Condado Portucalense por D. Henrique. A cidade está historicamente associada à fundação da nacionalidade e identidade Portuguesa.
Ficamos hospedados no excelente hotel Hotel da Oliveira (http://www.hoteldaoliveira.com), que custou R$ 433,71, com café da manhã. O hotel fica numa região central, onde não entra carro. Graças à gentileza do povo português, pudemos estacionar junto ao pátio da prefeitura e ir a pé até o hotel.
A cidade é uma graça, com casas com sacadas floridas em ruas estreitas e suas casas com a fachadas azulejadas.
No topo da cidade existe o Castelo de Guimarães, construído no século X, que defendeu a cidade dos ataques muçulmanos.
A culinária é deliciosa, com doces típicos como a torta de Guimarães (à base de açúcar, amêndoas e uma grande quantidade de gemas) e Toucinho do céu (feita com massa folhada, recheada com doce de abóbora, ovos e amêndoa, untada com gordura de porco).
Algum dos pratos típicos regionais são as papas de sarrabulho, confeccionadas com sangue de porco, carne de galinha, carne de porco, presunto, chouriço, cominhos, limão e pão ou farinha de milho, entre outros ingredientes.
A cidade conta com várias igrejas e praças, sendo a praça de Santiago a principal delas. Ela é animada, com vários bares e cafés.
Na praça de Santiago há um portal, denominado Padrão do Salado, feito para comemorar a batalha do Salado, em 1340, em que Afonso IV defendeu a cidade do ataque muçulmano.
Em Guimarães provei um vinho branco com a marca da loja Rolhas e Rótulos. Os garçons não sabiam dizer de que uva era feito, mas para mim , mais parecia a cepa Loureiro. Tinha um boa acidez e uma certa doçura.
Nesta noite jantamos no restaurante do Hotel da Oliveira, onde pedimos:
Salada com gambas (camarões), folhas verdes, tomates e croutons e Lombo de bacalhau, com batatas e brócolis.
Vinho QG, da cepa Loureiro, da Quinta de Gomariz para acompanhar.
Os pratos estavam deliciosos e o vinho caiu bem com eles. O serviço era muito atencioso.
Aproveitamos a nossa estada em Guimarães para ir até Braga, visitar o belo Santuário de Bom Jesus do Monte, que fica no topo de uma colina.
Este santuário católico é dedicado ao Senhor Bom Jesus e constitui-se num conjunto arquitetónico-paisagístico, integrado por uma igreja, uma escadaria, onde se desenvolve a Via Sacra do Bom Jesus, uma área de mata (Parque do Bom Jesus) e alguns hotéis.
A escadaria é toda decorada com estátuas, que representam personagens que intervieram na condenação, paixão e morte de Cristo, além de várias fontes.
Em cada patamar existe uma capela com imagens da via sacra de Jesus.
As escadas são longas, mas existe no local um funicular (Elevador do Bom Jesus), que leva da base ao topo da construção.
A passagem pela região de Guimarães foi muito agradável e já nos fez perceber a simpatia e generosidade do povo português.
Guimarães é uma cidade histórica, com um papel crucial na formação de Portugal, e que conta já com mais de um milênio desde a sua formação, quando era designada como Vilamares.
Guimarães é uma das mais importantes cidades históricas do país, sendo o seu centro histórico considerado Património Cultural da Humanidade. A cidade é um dos maiores centros turísticos da região. As suas ruas e monumentos respiram história e encantam quem a visita.
Guimarães é muitas vezes designada como "Cidade Berço", devido ao fato de aí ter sido estabelecido o centro administrativo do Condado Portucalense por D. Henrique. A cidade está historicamente associada à fundação da nacionalidade e identidade Portuguesa.
Ficamos hospedados no excelente hotel Hotel da Oliveira (http://www.hoteldaoliveira.com), que custou R$ 433,71, com café da manhã. O hotel fica numa região central, onde não entra carro. Graças à gentileza do povo português, pudemos estacionar junto ao pátio da prefeitura e ir a pé até o hotel.
A cidade é uma graça, com casas com sacadas floridas em ruas estreitas e suas casas com a fachadas azulejadas.
No topo da cidade existe o Castelo de Guimarães, construído no século X, que defendeu a cidade dos ataques muçulmanos.
A culinária é deliciosa, com doces típicos como a torta de Guimarães (à base de açúcar, amêndoas e uma grande quantidade de gemas) e Toucinho do céu (feita com massa folhada, recheada com doce de abóbora, ovos e amêndoa, untada com gordura de porco).
Algum dos pratos típicos regionais são as papas de sarrabulho, confeccionadas com sangue de porco, carne de galinha, carne de porco, presunto, chouriço, cominhos, limão e pão ou farinha de milho, entre outros ingredientes.
A cidade conta com várias igrejas e praças, sendo a praça de Santiago a principal delas. Ela é animada, com vários bares e cafés.
Na praça de Santiago há um portal, denominado Padrão do Salado, feito para comemorar a batalha do Salado, em 1340, em que Afonso IV defendeu a cidade do ataque muçulmano.
Em Guimarães provei um vinho branco com a marca da loja Rolhas e Rótulos. Os garçons não sabiam dizer de que uva era feito, mas para mim , mais parecia a cepa Loureiro. Tinha um boa acidez e uma certa doçura.
Nesta noite jantamos no restaurante do Hotel da Oliveira, onde pedimos:
Salada com gambas (camarões), folhas verdes, tomates e croutons e Lombo de bacalhau, com batatas e brócolis.
Vinho QG, da cepa Loureiro, da Quinta de Gomariz para acompanhar.
Os pratos estavam deliciosos e o vinho caiu bem com eles. O serviço era muito atencioso.
Aproveitamos a nossa estada em Guimarães para ir até Braga, visitar o belo Santuário de Bom Jesus do Monte, que fica no topo de uma colina.
Este santuário católico é dedicado ao Senhor Bom Jesus e constitui-se num conjunto arquitetónico-paisagístico, integrado por uma igreja, uma escadaria, onde se desenvolve a Via Sacra do Bom Jesus, uma área de mata (Parque do Bom Jesus) e alguns hotéis.
A escadaria é toda decorada com estátuas, que representam personagens que intervieram na condenação, paixão e morte de Cristo, além de várias fontes.
Em cada patamar existe uma capela com imagens da via sacra de Jesus.
As escadas são longas, mas existe no local um funicular (Elevador do Bom Jesus), que leva da base ao topo da construção.
A passagem pela região de Guimarães foi muito agradável e já nos fez perceber a simpatia e generosidade do povo português.
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
Restaurante da Ieda. Mais um restaurante simples e de preços honestos, no Baixo Pinheiros
A região do baixo Pinheiros continua bombando, em termos de gastronomia. O restaurante Mica está ampliando seu espaço e outros restaurantes pequenos ,como a Casa de Ieda ,estão surgindo. Este último serve a simples e boa comida Brasileira.
Os pratos do restaurante Casa de Ieda são elaborados pela própria Ieda de Matos e seus auxiliares. Ela se baseia na culinária da Chapada Diamantina e mostra o que se come por lá.
O espaço é pequeno e tem algumas banquetas em frente à cozinha. É interessante sentar lá para ver a tranquilidade com que preparam os pratos.
A decoração tem motivos nordestinos, com artesanato da região e fotos antigas de parentes de Ieda.
O serviço é informal, mas atencioso. Os pedidos são feitos e pagos no balcão e depois levados à mesa.
De entrada provei bolinho de estudante (tapioca com queijo de coalho - 4 bolinhos por 18,00) e pirão de queijo recheado com carne de sol. Gostei mais do segundo prato.
Os pratos que provei foram: baião de dois (arroz, feijão de corda, carne de sol artesanal, queijo de coalho) que é acompanhado de farofa e molho lambão. Custa R$28,00.
Cambucu (peixe) na cama de pirão de inhame e arroz de azedinha, cujo preço é R$38,00.
Roupa Velha, que é composto de arroz vermelho com um cremoso pirão de queijo de coalho, carne de sol desfiada e uma conserva.
Os sucos são de frutas da região: mangaba, seriguela e cajá-manga custam R$8,00. Para os que não estão acostumados com estas frutas, eles são um pouco estranhos.
Tem também o Aluá, fermentado trazido da chapada, feito de abacaxi, gengibre e especiarias, com rapadura.
Os pratos tem preço bem em conta e são bem gostosos. Preciso voltar lá para provar o Godó de Banana Verde, prato consumido antigamente pelos garimpeiros da Chapada Diamantina.
Recomendo o restaurante para aqueles que querem curtir a comida brasileira, pagar pouco e não fazem questão de requintes.
Os pratos do restaurante Casa de Ieda são elaborados pela própria Ieda de Matos e seus auxiliares. Ela se baseia na culinária da Chapada Diamantina e mostra o que se come por lá.
O espaço é pequeno e tem algumas banquetas em frente à cozinha. É interessante sentar lá para ver a tranquilidade com que preparam os pratos.
A decoração tem motivos nordestinos, com artesanato da região e fotos antigas de parentes de Ieda.
O serviço é informal, mas atencioso. Os pedidos são feitos e pagos no balcão e depois levados à mesa.
De entrada provei bolinho de estudante (tapioca com queijo de coalho - 4 bolinhos por 18,00) e pirão de queijo recheado com carne de sol. Gostei mais do segundo prato.
Os pratos que provei foram: baião de dois (arroz, feijão de corda, carne de sol artesanal, queijo de coalho) que é acompanhado de farofa e molho lambão. Custa R$28,00.
Cambucu (peixe) na cama de pirão de inhame e arroz de azedinha, cujo preço é R$38,00.
Roupa Velha, que é composto de arroz vermelho com um cremoso pirão de queijo de coalho, carne de sol desfiada e uma conserva.
Os sucos são de frutas da região: mangaba, seriguela e cajá-manga custam R$8,00. Para os que não estão acostumados com estas frutas, eles são um pouco estranhos.
Tem também o Aluá, fermentado trazido da chapada, feito de abacaxi, gengibre e especiarias, com rapadura.
Os pratos tem preço bem em conta e são bem gostosos. Preciso voltar lá para provar o Godó de Banana Verde, prato consumido antigamente pelos garimpeiros da Chapada Diamantina.
Recomendo o restaurante para aqueles que querem curtir a comida brasileira, pagar pouco e não fazem questão de requintes.
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