sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

A grata supresa do restaurante L'amitié

Ir à um restaurante novo, às cegas, é mesmo uma aventura, por isto, sempre que posso escolho algum restaurante do primeira mesa e assim no mínimo asseguro o meu desconto.

Foi desta forma que cheguei ao L'amitié, que fica no Itaim, à rua Manoel Gudes 233 (fone; 3071.3517).

O alegre chef do L'Amitié com sotaque francês, Yann Corderon, veio da região da Normandia, no norte da França  e além de muito comunicativo, tem clientes fiéis.

O ambiente  do restaurante é rústico, divertido e informal. Diz Calderon que pensou em dar aos clientes, a impressão de que eles estão na França.

Os preços em geral são salgados, justificados pelos custos dos produtos utilizados, mas com o desconto do primeira mesa fica muito razoável.

Pedi de entrada um Escargot Bourguignonne, que estava bem temperado e me fez matar as saudades da França, especialmente de Paris.

O Le Chateâubriand Marchand de Vin  também foi um pedido, um filé alto, grelhado ao molho de vinho tinto, acompanhado de batatas assadas. Estava perfeito.

Pedi o Sanglier Gran Veneur, uma receita de javali dos castelos do Loire, com base de vinho tinto, pimenta e grão, geleia de groselha , acompanhado de risoto de açafrão e aspargos verdes. Este foi o melhor javali que comi na vida!

Geralmente evito sobremesas, mas sempre que acho, peço uma Tarte Tatin, uma tradicional torta de maçã, servida com sorvete de creme e calda de laranja. Esta torta foi inventada sem querer pela madame Tatin, como reza a lenda, que esqueceu de virar a torta e assim, a fez sem cobertura de massa. Também estava deliciosa!

A conta ficou em R$174,00, o que é barato para os pratos servidos e os produtos utilizados. Caso não tivesse usado o primeira mesa, pagaríamos R$301,00.

O serviço foi muito cordial e os pratos espetaculares, o que me faz desejar voltar lá e recomendar o restaurante para outras pessoas. Desta vez acertei em cheio!

O restaurante L'Amitié tem umas boas promoções como esta, onde um menu especial, com entrada, prato principal e sobremesa pode sair por R$100,00, no jantar. É só conferir antes de ir.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Ponte de Lima e Bouro, no interior do Minho, Portugal

Quando estive no interior do Minho, além de me perder na cidade de Melgaço, quando procurava a vinícola de Anselmo Mendes, estive também em Ponte de Lima e Terras de Bouro.

Quando vou visitar vinícolas fora das cidades utilizo o GPS, que sempre me prega peças. Desta vez, por indicação, entrei em Melgaço, que é uma cidadela graciosa e fiquei girando por suas ruas estreitas até o GPS resolver colaborar.

Uma das cidades indicadas no Minho era Ponte de Lima, a vila mais antiga de Portugal. Ela foi murada no século XIV por D. Pedro I, transformando a num Burgo medieval, com nove torres, das quais só restam duas.

A cidade tem este nome por ter uma ponte medieval sobre o rio Lima, construída pelos romanos, que ligava Braga a Astorga, na Espanha.


No século XV foram construídos os edifícios mais marcantes da cidade, como a Igreja Matriz.

A região de Ponte de Lima produz vinhos, principalmente da casta Loureiro.

A cidade possui um calçadão, ao redor do rio, onde se pode apreciar a ponte e o largo dos Camões. Local de concentração da população muito gracioso.

Um dos pratos típicos da região é o arroz de sarrabulho, que deve ser acompanhado de vinho verde. Ele é feito com uma carne de porco temperada com louro, cravo, sal, pimenta e noz-moscada. Depois de cozida  e desfiada, a carne junta-se o cominho e o arroz.

Aproveitamos a visita para tomar um café, com doce de ovos e então seguimos para Amares, onde nos hospedaríamos no Mosteiro de Sta. Maria de Bouro.

Este prédio, que já foi um mosteiro, hoje pertence à rede Pestana e é muito confortável. O apto duplo, com café da manhã ficou em E$153 por dia. ttps://www.pousadas.pt/en/hotel/pousada-amares.

O prédio fantástico, feito de blocos de pedra de grande espessura é um local para descanso e meditação, apesar de ter piscina, onde se pode refrescar do sol intenso.


O restaurante é bem sóbrio e os pratos são divinos!

Na primeira noite jantamos no restaurante do mosteiro e como entrada tivemos um folhado de carne, presunto cru e pimentão oferecidos pelo chef.

O prato principal foi bacalhau com broa de milho, em crosta, grelos e batatas ao murro.

O outro prato foi também bacalhau mas desta vez com com batatas fritas e estufadas, arroz,  grumos de cebolas fritas no azeite e azeitonas pretas.

Como sobremesa não pudemos deixar de provar o pudim de abade de priscos, especialidade desta casa.

Para acompanhar o jantar, pedimos o vinho Castello D’Alba que estava bom. A conta ficou em 61 euros.

No dia seguinte,  tomamos um café da manhã de glutão: Tortas, frutas, espumante, pães, embutidos, tudo da melhor qualidade.

Subimos um morro local, onde ficam as termas de Gerês, conhecidas desde a época dos romanos.

Junto ao local,  haviam mesas comunitárias, onde a população da região fazia sua refeição, trazida de casa.

Depois de conhecer o interior do Minho, fomos para o Peso da Régua, à beira do Douro para visitar mais vinícolas.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

A tradicional e exótica Viña Tondonia e seus excelentes vinhos

Todo ano visito vinícolas em diversos países do mundo e procuro escolher uma grande variedade de tipos de vinhos e de regiões, principalmente na Europa.

Em geral,  as vinícolas tem se modernizado, tanto em equipamento, como em técnicas,  que vão desde a plantação das parreiras,  até o  armazenamento do vinho.

Quando descobri que havia uma vinícola que produzia grandes vinhos na Rioja, Espanha, mantendo técnicas antigas, resolvi conhecê-la.

Esta é a Viña Tondônia (BODEGAS DE D. RAFAEL LÓPEZ DE HEREDIA) que produz vinhos excelentes, há 142 anos, venerados pelos enófilos.

A vinícola vem trabalhando anos para produzir meticulosamente seus vinhos.

Todos os seus vinhos passam pelo menos 6 anos envelhecendo. Os vinhos principais são os brancos, difíceis de encontrar para comprar. Os roses então parecem mais uma lenda, inatingíveis!

Esta casa não teve receio para envelhecer os vinhos brancos em carvalho, uma vez que isso não é um procedimento comum.

O resultado é muito mais surpreendente do que se poderia supor. Quando esse tipo de vinho permanece por muito tempo na madeira, é lógico que os sabores e aromas do carvalho fiquem mais pronunciados e até mesmo desequilibrados.

Talvez depois do vinho pronto, pode não ser a melhor época para experimentá-lo. No entanto, quando o envelhecimento da garrafa conseguir polir os traços de madeira e criar aromas novos e sedutores de especiarias, amêndoa, baunilha e noz, encontramos um majestoso e opulento branco Tondonia Vineyard.

O nome da vinícola, Viña Tondonia, veio de uma de suas vinhas, plantada num terreno quase circular envolvido por um braço do rio Ebro, formando como que uma rotunda, ou seja “Tondón”.

A fachada da vinícola é sóbria e não revela o que encontraremos dentro do prédio, teias de aranha abundantes e uma umidade que naturalmente brota pelas paredes da adega.

Isto tudo ocorre pela escolha de um método de produção de vinho antigo, que leva em conta  as condições naturais para o seu feitio. Ou seja, quanto menor interferência no processo de fazer o vinho, melhor.  Este método  procura ser o mais natural possível.

As barricas e tonéis são utilizados por volta de 30 anos e periodicamente são reparados na própria adega, por uma equipe de tanoeiros próprios.

Os balseiros que encontramos em túneis quase intermináveis, pelo caminho, estavam cheios, esperando pela trasfega para as barricas.

As prensas utilizadas são de madeira, ainda dos tempos antigos e o controle da temperatura é feito abrindo as portas da adega quando necessário.

Existe na Tondônia, uma sala secreta, cheia de teias de aranha, com uma mesa onde são servidas refeições aos clientes vips. Este é o charme do local.

As garrafas especiais ficam armazenadas numa área fechada, com uma placa na frente escrita: "Y los Altares de los Dioses” (os altares dos deuses).

Terminada a visita, fomos para uma área de degustação, onde ansiosamente esperávamos pela prova.

Começamos  a degustação pelo branco Reserva 2004, das cepas Viura e malvasia, que passam 6 anos por barrica. O vinho é duma cor amarelo acentuada, com reflexos dourados. No Nariz aparecem frutas maduras como abacaxi e um toque cítrico. Na boca o vinho tem um toque de oxidação, com boa acidez e gosto de amêndoa. O vinho realmente é uma maravilha!

Passamos então para o tinto Reserva 2005, das cepas: Tepranilo, Garnacha Graciano e Mazuelo que passam 6 anos em barrica. Sua cor é granada. Na boca ele é bem evoluído, com toques de couro e soubois. É um vinho excelente.

Após esta maravilhosa experiência, voltamos para a recepção, onde havia um bar que foi inteiramente desmontado de uma casa em Madri e levado então para a vinícola. Muito interessante!

Comprei um vinho tinto e quando ia comprar o branco, me disseram que tinha que comprar 2 tintos, para poder levar um branco.


Desisti então da compra, mas felizmente encontrei um Tondonia branco 2003, num restaurante na cidade de Burgos. Ele ainda está guardado na minha adega esperando o momento certo para sua abertura.

Em outra viagem à Madri, em 2018, encontrei outro Tondônia Branco 2005 no El Corte Ingles. Aliás, mesmo sendo um vinho raro, quando encontrado ele beira o valor de 30 Euros, o que é em conta para este vinho.

Existe ainda um branco Gran Reserva, que ainda não encontrei para comprar.

Agradeço ao pessoal da vinícola e da Vinci, que me proporcionaram esta experiência única!



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