sábado, 25 de março de 2017

Tenuta Fessina vinícola do Etna

Há um tempo atrás passei pela cidade de Taormina, na Sicilia, e fiquei deslumbrado com ela!


Em 2016, durante minha última viagem pela Itália, resolvi rever esta cidade a fim de conhecê-la melhor. Aproveitei então para visitar uma vinícola nesta região do Etna, a Tenuta Fessina (https://www.youtube.com/watch?v=Nm8owdEkR7w), que fica próxima à Taormina.


O meu primeiro contato com a Fessina, que, por sinal não tem importador no Brasil e que fica próxima ao vulcão Etna, foi num evento que participei em São Paulo.


Naquela época havia muito ufanismo e divulgação no exterior do crescimento brasileiro e tais eventos eram muitos.

A Fessina pertence à Silvia Maestrelli, produtora de vinhos da Toscana.

A principal uva plantada na propriedade é a tinta Nerello Mascalese, além das: Nerello Capuccio Carricante e Nero D’Avola, e as brancas: Carricante, Minnella e Catarrato, todas autóctones da Sicília.


Saí de Taormina para conhecer a Fessina e fui passando por cidadelas, durante a viagem, que ficam no sopé do morro do Etna. Era um dia com nuvens, e pudemos ter uma idéia da grandeza do vulcão.

Fomos recebidos por Giovanni, que nos mostrou os vinhedos plantados naquele solo negro, resultante das erupções do vulcão.

Em seguida, ele nos levou para conhecer a adega antiga, com suas instalações impressionantes por sua simplicidade. A adega atual fica embaixo do prédio antigo. A Tenuta Fessina está construindo apartamentos que, segundo Giovanni, serão luxuosos e abrigarão os visitantes que desejam conhecer seus vinhos.

Já na adega, partimos para a degustação dos vinhos:


Musmeci Etna Bianco DOC Superiore, da cepa Carricante, tem uma acidez marcante. Um vinho gastronômico que deve acompanhar bem pratos gordurosos, Este é um perfeito representante da região do Etna. Ganhou 3 bicchieri em 2009.


Puddara Etna Bianco, também da Carricante, porém mais delicado ,talvez pelo seu afinamento, por 9 meses em boate de 35 hl. Tem um quê de defumado e ganhou 3 bicchieri em 2011, 2010 e 2009.

Erse Etna Rosato DOC, das cepas Nerello Mascalese e Nerello Cappuccio, com boa acidez e é muito agradável.

Erse Etna Rosso DOC, das cepas Nerello Mascalese e Nerello Cappuccio ganhou 2 bicchieri em 2011, 2010. Ele tem muito frescor e fruta bem presente. É um vinho elegante, com bom corpo e sedoso.

Laeneo IGT 2014, das cepas Carricante (80%), Nerello Cappuccio, cepa feito por apenas 4 produtores da Sicilia. Em 2009 e 2012 ganhou 2 bicchieri. A cepa Nerello Cappuccio revela especiarias e cor intensa além de aromas de fruta.

Ero Sicilia IGT 2013, da cepa Nero D’Avola, mais leve, em 2009 e 2012 ganhou 2 bicchieri. Ele tem fruta e frescor muito destacado além de um belo corpo, muito sedoso.


Musmeci  Etna Rosso DOC Riserva 2011, da cepa Nerello Mascalese, em 2007 ganhou 3 bicchieri e em 2008 e 2009 e recebeu 2 bicchieriem 2008 e 2009. A cepa é mais clara que a Cappuccio, o que o torna um vinho mais representativo da região do Etna. É um vinho longevo, elegante, com certo frescor e caráter austero.

Esta visita a Tenuta Fessina foi muito interessante para mim, pois tive contato direto com cepas regionais, usadas em vinhos excepcionais.


Quanto ao vulcão Etna, ainda ativo (https://www.youtube.com/watch?v=HMJ7-dNDiUw), é o mais elevado da Europa (3.350m), e faz parte do patrimônio mundial da Unesco. Ele é verdadeiramente especial e pode ser visto desde Taormina. É uma montanha que muda diariamente. Todos os dias, um pouco de cinzas, um pouco de poeira, algumas nuvens de fumaça são despejadas na região. A paisagem ao seu redor muda diante dos nossos olhos. A fumaça traz novo solo para a montanha, que cresce e se renova. O vulcão tem um cone principal e centenas de cones subsidiários e pode, às vezes, irromper e enviar fluxos de lava até as áreas povoadas. Em 1669, um fluxo de lava atingiu a cidade de Catania e submergiu uma série de edifícios e, em 1928, enterrou toda a cidade de Mascali.

O resultado deste derramamento de lavas, que às vezes assusta os moradores e faz estragos na região, é de uma terra rica de nutrientes para a agricultura.


A Tenuta Fessina é um projeto de Silvia Maestrelli, que comprou uma velha vinha de uvas Nerello Mascalese que remonta ao século passado. No meio da vinha havia uma verdadeira jóia, uma pedra de lava do século XVIII com o lagar, ainda intacta. Em 2007, iniciaram os trabalhos na tenuta, com a ajuda do enólogo Federico Curtaz, que trabalhou como agrônomo de Gaja por vinte anos.


As vinhas, que se estendem por cerca de sete hectares, são cercadas por dois fluxos de lava semicirculares, seculares, que protegem as vinhas e criam um microambiente único, assim como as paredes que cercam o "clos" francês. Bosques de avelã, oliveiras e vinhas alternam, criando um patchwork de terra cultivada, entremeada com paredes de pedra de lava escura. Fessina é também o lar de algumas videiras muito antigas, plantadas com o sistema tradicional, gobelet antigo, com alta densidade de plantio por hectare e baixo rendimento.


As vinhas ali estão enraizadas em solos rasos e negros, compostos de areia, pedras e argila e ricos em oligoelementos: ferro, potássio, cálcio, fósforo, magnésio e manganês.

Os vinhos da região apresentam riqueza e complexidade de aromas, além de uma estrutura interessante e elegante.


Vale a pena conhecê-los , assim como conhecer tal região com solos tão peculiares!


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