sábado, 14 de abril de 2012

Nice e Cap D'Antibes

Entramos na França, pela Côtes D’Azur, chegando então à cidade marítima de Nice.

Desta vez ficamos num hotel mediano, mas muito bem localizado, em frente à praia, na Promenade Des Anglais, próximo à cidade velha. O hotel Mercure Marchè, que custou €122,00 (http://www.accorhotels.com/pt/hotel-0962-mercure-nice-marche-aux-fleurs/index.shtml), não tinha elevador, nem estacionamento. Por isto tivemos que procurar um estacionamento público, próximo e o encontramos a um custo caro.

O passeio que fizemos pelo centro da cidade velha, que ainda não conhecíamos, foi muito interessante! Ela é uma cidade muito animada e fervilhante, com restaurantes charmosos que ficam bem cheios e agitados à noite.

Vimos que, no início do dia, a cidade velha é ocupada por uma feira colorida, ao ar livre (marché des fleurs), na sua parte central. Podemos ver lindas flores e deliciosos doces de frutas glaciadas!

Aproveitei para provar algumas frutas que não existem no brasil, como um delicioso doce de damasco.
Passamos por um bar com uma charmosa destilaria antiga, onde se produzia o próprio aguardente.


Por ser uma região turística, seus restaurantes, em geral, são simples, com comidinhas básicas, e sem muita criatividade. Jantamos uma salada niçoise no restaurante Safari, indicado pelo pessoal do hotel.

O jantar foi acompanhado pelo vinho Chateau Saint Roch Les Vignes rosé. Ele tem uma bela cor salmão, aroma de pêssego e  uma característica refrescante e mineral na boca. Harmoniza bem com tapas, carnes brancas, carnes vermelhas grelhadas e queijos.

É produzido na região de Var, na região do Rhône, uma área de tradição de bons vinhos. Dizem que os gregos que vieram de Marseille, trouxeram vinhas, no século VI, para a região Korion, que hoje em dia se chama Var.

No dia seguinte fomos para a bairro ”Cimiez”, que fica numa colina, onde estão os museus Matisse e Chagal.

O Museu Matisse fica num belo prédio, dentro de um jardim, onde a população local vai passear.

O museu apresenta um acervo bem simples do artista, com gravuras e esboços.

Descemos então o morro, onde admiramos os casarões  do bairro, com seus jardins maravilhosos... uma região chique da cidade.

O museu Chagal, por sua vez, fica dentro de um jardim majestoso, e seu acervo é bem bonito, com obras de cores fortes, como o Cântico dos Cânticos.

Voltamos para velha Nice, depois, onde existem lojas de muito bom gosto.

Passeamos pelo “Promenade des Anglais” para apreciar aquele mar azul de água fria, a praia cheia de guarda sóis e de pedras.

A região do Mediterrâneo, praticamente não tem areia nas praias e a água é gelada.

Neste passeio apreciamos os chiques hotéis, inclusive o famoso Negresco com seu clube de jazz, onde, em geral, se hospedam artistas famosos. Aproveitamos para, num bar ali na calçada em frente ao mar, beber o gostoso vinho rosé  Côtes de Provence, Chateau Marguerite cru classe, produzido numa região próxima a Saint Tropez. Ele combinou perfeitamente com o pôr do sol deslumbrante que víamos.

Este vinho tem aromas de frutas vermelhas e florais. Na boca ele é leve, refrescante, combinando bem com aperitivos e sobremesas.

Aproveitamos para provar um delicioso sorvete de “marron glacê”.

Como na maioria das cidades finas da Europa, pudemos ouvir um show de música clássica e jazz, tocado no coreto. Esta praça tinha uma linda escultura de um leopardo de bronze.

Passamos também pela loja da Nespresso, onde existiam, além de cafés, pela metade do preço daqui, chocolates de todo o mundo, inclusive do Brasil (e que não existe aqui). Encontramos também uma livraria divina, que nos deu vontade de trazer para o Brasil tantos livros maravilhosos...

À noite voltamos à região velha para jantar. Desta vez fomos no restaurante “Flore” onde pedi, de entrada um divino prato de “escargots” seguido da tradicional “soup de l´ognion” (sopa de cebola) e assiette des fromages” (queijos da região).

No dia seguinte, partimos para a cidade de Saint Paul de Vence, parando no caminho para conhecer ainda Cap D’antibes.

Cap D’antibes é uma cidade litorânea, charmosa, com uma impressionante marina e iates que mais parecem verdadeiros navios. A riqueza transpira na região.

Depois de atravessarmos os muros da parte antiga da cidade, vimos uma charmosa região, com lojas chiques e graciosas. Passeamos também pelo “Marché Provençal”, um mercado que oferecia tapenades, lavandas, sais das mais diversas cores, temperos, frutas, chás e outras especiarias maravilhosas.

Visitamos uma exposição de Picasso, especialmente de suas criativas cerâmicas, num museu que fica num prédio imponente. A vista do museu era linda de frente para mar Mediterrâneo.

Os restaurantes eram charmosos e aproveitamos para almoçar uma salada verde com folhado de queijo de cabra, acompanhado de um divino vinho branco.

Passamos de novo pelos muros da cidade, indo em seguida para Saint Paul de Vence.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Passeio por Lucca, Toscana, Itália

Despois de ficar hospedado na Fatoria del Colle, onde fica a vinícola de Donatella Cinelli Colombini, me dirigi à Marema, no litoral, para visitar a terceira vinícola da família Allegrini, a Poggio ao Tesoro.

Um desencontro e a dificuldade de informações impossibilitou a visita à vinícola, me dirigindo então à charmosa cidade de Lucca, que é famosa por ser exemplo de cidade intacta da época renascentista.

Ela fica no norte da Toscana, próxima a cidade de Pizza, num fértil terreno plano, próximo ao mar Tirreno.

Dante Alighieri passou parte do seu exílio na cidade de Lucca, incluindo na Divina Comédia várias referências às grandes famílias feudais que tinham direitos administrativos e feudais sobre a região.
A cidade foi fundada pelos Etruscos tornando-se uma colônia romana em 180 A.C.
A forma retangular do centro histórico, preserva a planta romana original da cidade, sendo que a Piazza San Michele ocupa o lugar do antigo fórum.
Ficamos hospedados no bom hotel Eurostar Toscana, que custou €80,00, cuja localização fica um pouco longe do centro antigo (http://www.eurostarshotels.co.uk/eurostars-toscana.html).

A cidade fica próxima a Pizza, que não fui desta, pois quando estive lá, já vi as suas obras interessantes, que são: a sua famosa torre inclinada e o Duomo, que aliás ficam na mesma área.

Caminhamos até o centro antigo, passando por uma das portas do muro que o circunda. Estes muros estão intactos, enquanto a cidade expandiu e modernizou-se, o que não é usual para cidades da região. 


Os muros perderam a importância militar e viraram uma promenade, que circunda a cidade, servindo aos pedestres.

Como em toda a Toscana, apesar de pequena, a cidade tem um rico e sofisticado comércio, decorada com luzes, como árvore de natal. A Via Fillungo, por sua vez, conta com lojas antigas e belíssimas joalherias.
Lá encontrei uma loja de artigos de cozinha e decoração, onde adquiri mais um apetrecho do sofisticado mercado de vinho, que são bolinhas para limpar decanter.

Encontramos num mercado de rua, onde havia uma vendedora de frutas e alcachofra, uma trabalhadora simples e típica da região. Não resisti e registrei aquele momento na minha câmera fotográfica.
Basilica de San Frediano
Passamos pelo seu Duomo de San Martino, decorado no seu topo com pintura a ouro.
Duomo  di San Martino
Vimos também a igreja de San Michele in Foro, construída em 795 e reconstruída em 1070, com uma belíssima fachada, com uma série de esculturas.
San Michele in Foro
Passamos também pela igreja de San Giusto, datada da segunda metade do século XII, com uma fachada de decoração em faixas de branco e preto, na sua parte superior.

A cidade tem um palácio, Palazzio Pfanner, construído em 1667, com um belo jardim, agora convertido em museu de arte e de artefatos.
Existe também na cidade a casa do compositor Giacomo Puccini (la Bohème e Madama Buterfly) que será aberto à visitação.

O frio de outubro já começava a ficar agressivo, e ,como era fim de tarde, tentamos jantar num restaurante típico, indicado pelos habitantes locais. Como em toda Itália, este establecimento só abria às oito horas. Voltamos ao hotel, onde tomamos um lanche.
Esta situação me lembrou uma história de meu amigo Basile, quando chegou à noite em Veneza que se frustrou ao procurar um restaurante aberto. Teve então que se conformar com um hambúrguer e reclamou com o garçom o fato de numa cidade turística como Veneza, como em toda Itália, os restaurantes fecharem fora do horário das refeições. O garçom disse para ele, ”ma vede como sei bela la citá”, o que não resolveu a situação, mas o calou de imediato.

Compramos um presunto cru, peperoncinos (pimentão) com atum e um pão integral que acompanhou o vinho chiante, que ganhei num restaurante em Firenze, que era bem ácido.

Compramos também uma especialidade local, denominada ”bucelliato di Lucca”, uma rosca com passas e um forte tempero de anis.

No dia seguinte partimos para Nice, que fica na França, na Cote D ‘Azur.
Trabalho de Gisela Furquim, baseado na vendedora de alcachofra.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O Brie Resto

Continuando minhas pesquisas pelos restaurantes paulistas, fui almoçar no Brie Restô, que fica na rua Melo Alves, 216 (fone 3081.4690).
O restaurante tem como chef: Eliana Carvalho, formada Chef de Cozinha e Chef Patissier pela escola Cordon Bleu, de Paris. Sua cozinha é de origem francesa, com toques criativos e com uma  belíssima apresentação!
Chateau em Fontanebleu


O nome do estabelecimento veio do queijo brie, pois assim como ele, o restaurante pretende melhorar cada vez mais com o seu envelhecimento.
O maitre do restaurante é o simpático Regis que, juntamente com o sommelier italiano Henrico, recebem muito bem os seus clientes.
O sommelier pareceu-me muito bem preparado e pudemos conversar longamente sobre os vinhos e as regiões produtoras da Itália.
O menu apresentado pelo Brie é dividido em 3 momentos Specialitée (as entradas), Menu descolado (pratos mais tradicionais), Menu do autor (pratos mais elaborados e criados pela chef)) e les desserts e pâtisserie.
Pedimos:
Bacalhau de Provence rosti, acompanhado de cebolas caramelizadas, tomate confit e tapenade de azeitonas pretas.

Risoto la Babette, de codornas desfiadas, com banana da terra frita e pignolis.

Resistimos à sobremesa que oferecia  petit gâteau au chocolate, crème brulèe au pistache, mil folhas de morango, tarte tatin classique e la crêpe degustation. 
Os pratos foram um deleite para os olhos e o paladar!
Acredito que nem nos restaurantes turísticos de Paris comi tão bem!
Apesar da carta de vinho ser tentadora, tomei cerveja para reservar a noite para um bom vinho.
O custo da refeição foi compatível com os produtos utilizados, ficando nossa conta em R$158, (dois pratos, duas cervejas e um café).
Apesar do Brasil estar se tornando inviável, devido aos altos custos e preços, no Brie você pode desfrutar de uma deliciosa refeição a preço mais que justo!

sexta-feira, 30 de março de 2012

Almoço no restaurante Tre Bicchieri

Como me bateu aquela saudade da Itália, tive vontade de comer uma boa comida italiana. Liguei no sábado para o Tre Bicchieri, que fica na rua General Mena Barreto, 756 (fone 38854004) e consegui uma reserva para o almoço do dia seguinte.
Bellagio, lago de Como
Disseram-me que só aceitavam reservas até às 13 horas, com tolerância de 15 minutos de atraso.
Lá cheguei antes das 13hs, quando o restaurante ainda se encontrava vazio e me preparei para a degustação.
Cinque Terre, Ligúria
O nome Tre Bicchieri corresponde à pontuação máxima que o guia italiano de vinhos Gambero Rosso confere a um vinho.

A cozinha deste restaurante é focada na região da Toscana, sendo que o preparo de suas massas é totalmente artesanal.
Toscana
Trouxeram como couvert (R$ 9,00/ pessoa)um delicioso pão feito em casa, com manteiga e um bom azeite italiano.
Já estive algumas vezes neste restaurante, sempre com reserva antecipada e apreciei e aprecio seus pratos.
A cozinha é maestrada por Rodrigo Queiroz, que se aprimorou na culinária italiana em Florença, no Restaurante Enoteca Pinchiori, que ostenta 3 estrelas no aclamado guia Michelin.
Restaurante Enoteca Pinchiori
Como era de costume, iniciamos a difícil escolha do prato, pois tudo era muito bom e eu já tinha experimentado alguns deles.
Decidimos então escolher dois pratos diferentes, para que pudéssemos dar uma beliscada em todos:
Pedimos:
Ravioli de manzo ai crema de funghi: ravióli recheado com carne assada ao molho funghi, que custou R$58,00.

Trenette al pesto con aragosta: macarrão ao molho de pesto, tomate cereja e lagosta, que custou R$71,00.

Escolhi o vinho Nero d’Avola 2009 do produtor Fastacià, da Sicilia, Itália, que custou R$80,00, sendo que costuma custar R$56,00 na importadora Decanter.

A uva Nero d’Avola é típica da Sicilia, sendo que este vinho é da província de Palermo. Sua cor é de um rubi intenso, com aroma de frutas maduras e rosas, e traços de defumado. Tem boa textura na boca, com taninos leves e persistência média. Combina com: Spaghetti à matricciana e caças.

O vinho tinha um acentuado aroma de flores vermelhas e se revelou adequado ao meu prato de ravióli.
No rótulo do vinho tinha um interessante escrito:

“...Ho rubato una fiamma di sole
ad iluminarmi la strada
e vento leggero a carezzarmi la pellle,
...ho atteso il respiro dela terra
e raccolto la luce di molti horizzonti
ma adesso ...sono io.”

Este pequeno poema quer dizer:
...Roubei uma chama de sol
a iluminar-me o caminho
e vento leve a acariciar-me a pele,
..esperei o respiro da terra
e recolhi a luz de muitos horizontes
mas agora ...sou eu.

Bonito não?
Produtora do vinho do almoço
Como sempre, tive um almoço muito agradável, a um preço um pouco salgado R$300,00, sem sobremesa, mas muito gostoso!
O que podemos fazer se o Brasil é o pais dos impostos? E dos corruptos!
Trabalho de Gisela Furquim aproveitando o poema do vinho

terça-feira, 27 de março de 2012

Vinícola Fattorie del Colle

Vou iniciar este artigo contando da aventura de trilhar pelas estradinhas do interior da Toscana. Coordenadas erradas nos levaram a uma picada que terminava de repente no meio do mato. Procurei no mapa, a cidade mais próxima à Fattoria, que se chama Trequanda. No caminho para esta cidadela, vi uma pequena placa escrita Fattorie del Colle, e finalmente lá chegamos.
Bom restaurante de Trequanda (único aberto nestas noites)

A vinícola Fattoria del Colle é de propriedade da sra. Donatella Cinelli Colombini, que vem de uma tradicional família da região do vinho Chianti.

As primeiras citações de produção vinícola, na propriedade da Fatoria, datam do século XII com o seguinte nome: “Ermitorium S.Egidii de Querciola”.

Nesta propriedade existe uma linda capela onde são feitos casamentos e outras cerimônias religiosas. Esta capela foi construída em 1592.
Lá são produzidos os vinhos:

-       Leone Rosso Orcia DOC –  com as uvas: Sangiovese 60% e Merlot 40%. Ele tem uma cor rubi, e um aroma intenso e frutado. De corpo médio, tem um tanino forte e persistente. Graduação alcoólica: 14%. Seu preço é R$94,40. Harmoniza com carnes grelhadas, massa com molho de carne, paleta de cordeiro, queijo parmesão e risoto de funghi.

-        Cenerentola Orcia - DOC. Uvas: 65% de Sangiovese e 35% de Foglia Tonda (redonda). Sua cor é de rubi escuro, seu aroma é complexo de frutas vermelhas maduras e especiarias. Na boca é macio, intenso e harmonioso, com taninos maduros, de boa intensidade, de muito boa persistência. Graduação Alcoólica: 14%. Seu preço é de R$202,30. Harmoniza com carnes vermelhas, massas com molho de carne, costela de cordeiro, queijos parmesão e risoto de funghi.
     Obs: Cenerentola é a Cinderela de uma ópera cômica, cuja música é de Giachino Rossini.

    - Il Drago e le Sette Colombe IGT Toscana – É feito com as uvas: 60% Sangiovese, 25% Merlot e 15% Alicante. Ele tem uma cor de rubi intenso e aroma de especiarias e de frutas vermelhas. Na boca ele é potente e de boa estrutura. 


 -       Chiante Superiore DOCG – Ele é feito com 90% de uva Sangiovese e 10% Canaiolo Nero. Sua cor é vermelho escuro brilhante e com intenso aroma floral. Na boca seu tanino é intenso.


    - Sanchimento IGT Toscana Bianco - Ele é produzido com a uva Traminer. Apresenta uma cor de palha com reflexos verdes. Seu aroma é delicado, com traços de flores e frutas. Na boca é fresco e delicado, com notas de melão e com boa acidez.


   - Vin Santo del Chianti DOC -É produzido com as uvas Trebiano toscano e Malvasia del Chianti. Sua cor é dourada clara e seu perfume muito intenso, persistente. Sou gosto é um adocicado amável, quente e delicioso.

    - Passito Aromático da uva Traminer-  Ele é amarelado, com gosto doce e pleno, com notas de mel e fruta madura.

Lá fomos convidados para um maravilhoso jantar, no restaurante da Fatoria, em companhia da família de Donatella: Carlo, seu marido e Violante, sua filha e futura sucessora na administração das vinícolas.
Nesta ocasião provamos os vinhos das duas vinícolas, harmonizando-os com cada um dos pratos. Este foi um verdadeiro banquete.
Obrigado Donatella!


Como informação final, a importadora no Brasil destes vinhos é a viníssimo, cujo telefone é: (11)4195-5554 (http://www.vinissimo.com.br/)

Miolo revela quarta edição da Coleção dos Sete Lendários

Safra 2023 dá origem a sete vinhos ícones que expressam o melhor de quatro terroirs brasileiros onde o grupo firmou suas raízes. O lançament...