sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

San Sebastian, Espanha


A cidade litorânea de San Sebastian, ou Donostia no dialeto Basco, fica na costa do golfo de Biscaia. Esta cidade está localizada no chamado País Basco que, por sua vez, compreende parte do noroeste da Espanha e do sudoeste da França.

As principais atividades econômicas em San Sebastian são o comércio e o turismo, sendo esta uma cidade, um dos mais famosos destinos turísticos da Espanha.
 Ponte Maria Cristina
O layout ortogonal que hoje que compõem o centro da cidade, foi construído em 1914, muito em sintonia com o estilo parisiense Haussman. As arcadas da praça Buen Pastor foram construídas após as da Rue de Rivoli , bem como a Ponte Maria Cristina que se inspirou na Pont Alexandre III, no Sena. 
 Estación del Norte
A Estación del Norte, estação ferroviária, foi inaugurada em 1864, logo após a chegada da estrada de ferro em San Sebastián. Ela tem o seu telhado metálico, projetado por Gustave Eiffel .
 Cassino
A parte Vieja (parte antiga) é a área do núcleo tradicional da cidade. Esta área foi toda cercada por paredes até 1863, quando as mesmas foram demolidas, de modo a ocupar a faixa de areia e terra, que ligava a cidade ao continente.
 Igreja San Vicente
A parte antiga da cidade é dividida em duas freguesias que correspondem às igrejas de Santa Maria e San Vicente.

Dezenas de bares surgiram na cidade antiga, após a ditadura de Franco, bares muito populares entre os jovens e turistas ainda que não atraia os tradicionais moradores locais.

As maiorias dos edifícios atuais remontam o século XIX, e foram construídos graças ao esforço e determinação dos moradores locais.
Basilica Santa Maria
No ano de 1813 a cidade foi atacada e quase destruída pela Inglaterra e França.
Porto
Na cidade existe um porto de pesca e de recreio de pequeno porte, com dois pisos e casas pitorescas, alinhadas numa parede frontal, denominada Urgil.
Casa Espanha
A cidade tem uma orla toda calçada onde as pessoas passeiam, frequentam seus bares e centros de saúde, e fazem tratamentos como talassoterapia (com água do mar).
Plaza Constituicion
Passamos em frente a um bar, onde vimos muito papel pelo chão e não entendemos o que havia acontecido. No dia seguinte, ao voltar ali na hora do almoço, vimos que é um hábito pedir as tapas e atirar os guardanapos de papel no chão.

É interessante como o espanhol tem o hábito de comer estes aperitivos divinos, que são feitos de pão, com as coberturas mais diversas.
Bocadilho
Os hábitos espanhóis, às vezes, são muito estranhos: Na praia, fomos a um bar onde pedimos calamares (lulas) e o garçom disse que não tinha. Consultamos então o cardápio e vimos que havia bocadillos com lulas. Pedindo uma porção. O que veio era um sanduiche de lulas empanadas. Tiramos o pão e comemos as lulas.

O centro antigo de San Sebastian, com seu velhos prédios, é muito bonito e contrasta com o calçadão da praia, que é bem limpo e moderno.

Acredito que a cidade é um destino de muitos idosos, pois, neste calçadão plano, eles passeavam e aproveitavam o agradável ar local.

A visita a San Sebastian foi uma agradável surpresa e de lá partimos com destino a Bordeaux, passando pela linda cidadela basca litorânea, francesa, de San Jean de Luz.

San Jean de Luz é a única baía da região, protegida por um paredão, uma das praias prediletas dos banhistas na costa basca.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Restaurante Girarrosto, São Paulo


Da mesma forma que muita gente da minha geração, eu frequentei o restaurante Pandoro, lá na Augusta, justamente para tomar o famoso drink caju amigo.  O Pandoro era um ponto perfeito para levar a namorada, ou simplesmente para paquerar. O drink, feito de compota de caju, vodca, açúcar, suco de caju e gelo, além de gotas de um componente nunca revelado, amolecia os corações.

Dizem que este aperitivo foi inventado em 1974, pelo barman do Pandoro, Guilhermino, que colocou este nome, pelo fato das pessoas pedirem a ele: “Vê um caju, amigo!”  

Depois que o Pandoro foi fechado, voltou então a funcionar por um período, no mesmo lugar, mas com instalações mais amplas. Esta situação não durou muito, sendo ele substituído posteriormente, pelo restaurante Girarrosto.

Já fazia um tempo que eu ouvia falar no restaurante Girarrosto, na Av. Cidade Jardim 60 (fone: 30626000), no Jardim Paulistano, em São Paulo.

O restaurante Girarrosto ocupa um amplo e bem decorado espaço, com três ambientes, sendo um deles, com jardim e cobertura de toldo. Existe também uma área para a execução do macarrão, que é envidraçada e dá para um dos salões.

Neste ano de 2012, a revista Gula deu o prêmio de melhor restaurante italiano de São Paulo para o Girarrosto.

Este restaurante resultou da união do empresário Paulo Roberto Kress Moreira, com o restauranter Paulo Barros e o Chef Salvatore Loi, antigo chef do Fasano.

O nome “Girarrosto” veio por conta de ser o nome de um forno a lenha giratório (chamar de tv de cachorro é uma heresia), trazido da Itália, onde são preparadas carnes como: porco, codorna, frango e cordeiro. Nele são preparados também a porchetta e a bisteca ala Fiorentina.

O couvert ali era composto por pães quentes divinos, feitos no local, acompanhados de azeite com alho e sardela.

O prato que pedi foi o Pulpo ala griglia e salsa de melograno (polvo grelhado, servido com croutons de polenta e molho de redução de romã), que estava crocante e divino. Parece que na salsa tinha erva doce picada (custou R$63,00, bem mais barato que o bom polvo do Arturito).

Para acompanhar pedi uma taça do vinho Silice 2010 (12,5% de álcool), da uva Trebiano, que custou R$31,00 (era o mais caro servido ali em taça), estava bom, e harmonizou bem com o polvo. Este vinho, produzido na toscana pela San Gervasio, é importado pela Zahil.

O outro prato pedido foi um Spaguettini con gamberi e limone (espaguete com camarão, mini legumes e raspas de  limão siciliano). Muito bom também (custou R$58,00).

Como sobremesa, não resisti ao baba al ruhm (massa leve, fermentada naturalmente, assada e servida com creme de limoncelo). Eu adoro esta sobremesa, que por sinal, é difícil de ser bem feita e de se encontrar (custa$20,00).

O café servido no Girarrosto é o Nespresso.  O garçom no entanto disse que só havia um tipo de café que ele não sabia descrever. Uma pena.

Tenho saudades nostálgicas do Pandoro, mas como cozinha, prefiro o Girarrosto.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Castas brancas aromáticas


Entre as castas usadas para fazer vinhos brancos, alguma resultam em produtos acentuadamente aromáticos.

Entre as mais aromáticas posso citar: Gewunstraminer, Torrontes Vionier e Muscat.
 Gewustraminer
A Gewustraminer é a campeã em aromas, chegando a ser chamada de condimentada (gewüz significa condimento em alemão), apresenta acentuado aroma de lichia, gengibre e, em alguns casos, canela.

A primeira impressão que se tem desta cepa é pesada, seu aroma parece uma mistura de lichia, rosas e creme nívea.

Quando o vinho é seco, torna-se opulento. Algumas vezes o vinho pode ser  frouxo e oleoso, pois vem de uma safra submetida a muito calor, o que resulta numa queda da acidez.

Os Gewustraminer mais renomados são provenientes da Alsácia, onde ocupam ¼ das plantações. Em seguida vem os vinhos de Pfalz, seguidos pelos de Baden (ambos na Alemanha). Logo abaixo vêm os vinhos Südtirol (sul do Tirol).

As regiões frias da Nova Zelândia, Oregon (USA) e Washington (USA), Chile e África do Sul tem bom potencial para produção destes vinhos.

Destas cepas saem três estilos diversos: seco, meio doces e doces.

Apesar do seu caráter estridente (forte), este vinho harmoniza bem com alimentos por complementariedade, como é o caso de pratos condimentados (orientais, por exemplo). A doçura do alho porró, cebola e pimentão em geral, também  dão certo com este vinho. Já o foie gras combina bem com os vinhos mais doces.

Provei alguns Gewustraminer que vou apresentar abaixo como ilustração:

Casona Vineyard 2007, com 14,5% de álcool. Ele é produzido no Chile, na região de Sto. Antonio Valley, por Viña Casa Marin. É importado pela Wine Brasil (http://www.winebrasil.com.br/), por R$114,00. É um vinho gostoso, mas um pouco fraco, do ponto de vista olfativo (ponto este que deveria ser a principal características desta casta).

Gewustraminer Reserva 2005, com 13,5% de álcool, produzido na Alsácia por Leon Beyer.  É importado pela Vinci, por R$159,00. Este vinho é a verdadeira expressão da casta, aromático, seco e mineral, com boa profundidade e complexidade.


A casta Vionier era característica da região de Condrieu, na França. Castas temperamentais e de baixa produtividade.

Os vinhos norte americanos são caros e concorrem com os do sul da França e da América do Sul.

De qualquer forma, nenhum vinho destas outras regiões possuem as características dos vinhos de Condrieu, como aromas de lima, damasco, pêssego e almíscar; vinhos untuosos e encorpados.

Difíceis de combinar com comida, ainda assim vão bem com caranguejos e lagosta, trufa negra e alecrim.

Aqui vão alguns exemplos desta casta:

Tabali 2007, com 14% de álcool, produzida por Viña Tabali, do Chaile, Limara Valley. É importado pela Grand Cru, por R$49,00. Este vinho não é tão bom em questão de aromas, nem na intensidade, nem em qualidade e complexidade.

Condrieu Les cassines 2007, produzido por Paul Jaboulet-Ainé. É importado pela Mistral por US$129,00. É um excelente vinho, um pouco comprometido apenas na questão aromática.

A casta Torrontés é proveniente da Espanha e é parente da moscatel. Produz vinhos frutados e é utilizada também em Portugal e Argentina (Suzana Balbo). Tem aromas que lembram flores e frutas cítricas.

Seus vinhos gastronômicos combinam bem com os prato de frutos do mar, queijo da cabra e pratos orientais. Posso citar:

Finca La Linda 2008, com 14% de álcool, produzido por Bodegas y Viñedos Arizu, na região de Salta, no Chile. É importado pela Decanter por R$37,30. Este vinho apresenta um pouco de amargor e falta de corpo.

A casta Muscat (moscatel) produz vinhos que guardam muito o sabor da uva, tantos os secos, como os doces, espumantes ou fortificados.

Apresenta aromas de almíscar, de rosas e laranja, além de uva passas, quando fortificados.

Os vinhos espanhóis são normalmente muito doces e alcoólicos, enquanto os alsacianos, com seu perfume de rosas, são secos e requintados. Os italianos são frescos, pouco alcoólicos e doces.

Os vinhos doces harmonizam com pudins, saladas de frutas, tortas de frutas cristalizadas, chocolates, sobremesas doces à base de nozes ou gengibre.
Como exemplo temos:

Moscato di Noto 2006, com 11,5% de álcool, produzido na Sicília, por Az Planeta. Ele é importado pela Interfood por R$151,90. É um vinho doce, aromático, complexo, com excelente persistência e Equilíbrio.

Vinícola Planeta
Enfim, para os que gostam de uvas aromáticas ficam aqui as sugestões.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Burgos e Bilbao, Espanha

Burgos é uma pequena cidade do norte da Espanha e capital da região de Castela, localizada a 244 km de Madri.


Esta cidade foi fundada em 884 como fortaleza e elevada em 1029, à sede episcopal.

Burgos foi sede do governo de Franco durante a Guerra Civil Espanhola.

Burgos tem muitos marcos históricos como: Catedral (declarada patrimônio mundial pela UNESCO),  monastério Las Huelgas Reales , monastério de Cartuja de Miraflores (residência de verão da monarquia espanhola), além de um grande número de castelos, palácios e outros prédios da época medieval.

Sua catedral foi construída no século XIII, juntamente com as grandes catedrais de Paris.

Próximo à cidade, nasceu um famoso líder militar, que já foi até tema de filme: El Cid o Conquistador.

A cidade é a principal encruzilhada do norte da Espanha no caminho de Santiago.

Burgos foi selecionada como a capital da gastronomia espanhola.

A cidade é de origem celta e foi tomada pelos romanos, pelos visigodos e pelos árabes, sendo reconquistada no século IX, pelo rei Leão. A região foi denominada Castela, ou terra dos castelos.

Depois de Burgos, passamos por Bilbao, para visitar o famoso museu de arte da cidade.

Parece que o principal e talvez único ponto turístico de Bilbao é o museu projetado pelo famoso arquiteto Frank O. Gehry ( já descrito no meu blog: http://vinhoprazer.blogspot.com.br/2010/04/degustacao-do-vinho-marques-de-riscal.html).

Lá fomos nós, portanto, visitar o famoso Guggenheim Museum, que é um dos 5 museus pertencentes à Fundação Solomom R. Guggenheim, e  é um dos locais mais visitados na Espanha.

O prédio é supermoderno, como as outras obras do arquiteto.
Alguns especialistas questionaram a viabilidade da construção  da obra, devido às suas formas complexas e torcidas.

O museu é coberto por placas de titânio curvadas em vários pontos, que lembram escamas de peixe. O átrio central tem 50 m de altura e lembra uma flor cheia de curvas. Do lado do rio, o museu lembra um barco, justamente em homenagem à cidade portuária de Bilbao.

Quando entramos neste prédio, ficamos um pouco decepcionados, pois o acervo de obras não era dos melhores, além do que era proibido fotografar o prédio do lado de dentro.

Em frente ao museu havia uma escultura de um gato enorme, todo coberto de flores.

Em Bilbao entramos no país Basco com seu fanatismo separatista e sua língua incompreensível e exótica!

As placas de trânsito ali eram escritas em espanhol (algumas vezes riscadas) e também no dialeto Basco.

Continuamos viajando pela Espanha Basca na direção de San Sebastian.


  

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