quarta-feira, 14 de março de 2012

Vinícola Casato Prime Donne - Montalcino - Itália

Conforme agendado previamente, fomos visitar a propriedade de Donatella Cinelli Colombini na região de Montalcino.

Neste local, que por sinal é propriedade da família Colombine desde 1592, são produzidos diversos Brunellos, o Rosso  de Montalcino e a Grappa de Brunello.

Lá fomos recebidos pela gentil Sra. Antonella, que nos acompanhou e explicou com detalhes, os tipos de plantações e de tratamento dos vinhos locais.

O prédio, onde é feita a fermentação da uva, foi construído em 2009.

Ele fica separado da antiga sede.
Nele foram instaladas barricas de aço inoxidável com controle de temperatura.

A construção do prédio tem aberturas dos quatro lados, para que haja uma ventilação natural, como nas adegas antigas. Em seu teto foi construída uma calha que permite que o mosto circule naturalmente, sem a utilização de bombas, de forma a interferir o mínimo possível no processo de fabricação dos vinhos. 


Este processo reproduz a forma em que os vinhos eram feitos nos conventos antigamente.

Os dois tipos de leveduras utilizadas no processo de fermentação do vinho são muito antigas e autóctones da região.
O “show room” e o processo de envelhecimento do vinho acontecem na parte debaixo do prédio antigo.  Neste processo são usados barris de carvalho, de grande porte (40 hl), que oferecem melhor resultado no envelhecimento da uva Sangiovese Grosso.

A equipe que trabalha na adega é exclusivamente feita por mulheres, lideradas pela reconhecida enóloga Valerie Lavigne.

Lá iniciamos a prova dos vinhos:

-       Rosso de Montalcino - DOC. Uva: 100% Sangiovese. Tem uma cor rubi intenso. Ele é envelhecido por 1 ano. Os aromas são de frutas vermelhas e especiarias. Na boca é intenso, harmonioso, com boa fruta e boa persistência. Graduação Alcoólica: 13,5%. Seu preço no Brasil é R$132,90. Vai bem com carnes grelhadas, massas com molho de carne, queijos ementhal, gouda e embutidos.

-       Brunello di Montalcino - DOCG. Como exige um Brunello, a uva é 100% Sangiovese. Ele é envelhecido por 2 anos. Sua cor é rubi intenso e brilhante. Aroma complexo, fino, de frutas vermelhas maduras e especiarias. Na boca é encorpado e concentrado, com taninos maduros, de boa intensidade, de longa persistência. Graduação Alcoólica: 14%. Seu preço é R$290,90. Tanto este vinho, como o próximo, combinam com carnes estruturadas, massas com molho consistente de carne, paleta de cordeiro, queijos parmesão e risoto de funghi.

-       Brunello de Montalcino Prime Done - DOCG. Graduação Alcoólica: 12,5%. Ele é envelhecido por 2,5 anos. Sua cor é rubi intenso e brilhante. O aroma é complexo, de frutas vermelhas maduras, especiarias, chocolate e tostado. Na boca é encorpado e estruturado e “longo”, mostrando-se potente e complexo.  Seu preço é R$321,80. De acordo com a produtora este é um vinho selecionado por  um grupo feminino.
Além destes vinhos, são produzidos neste local: Brunello de Montalcino DOCG Riserva e a Grappa di Brunello.
Esta prova confirmou a minha preferência pelos vinhos Brunellos, com forte personalidade e ao mesmo tempo, com uma elegância divina!
Além de ser produtora de vinho, a proprietária da vinícola , Donatella continuou e aprimorou o trabalho de sua mãe, que premiava mulheres que se destacavam dentro de suas atividades profissionais.
O processo de seleção da mulher homenageada ocorre anualmente. Um grupo de jornalistas elege, dentre um grupo de mulheres, aquela que se destacou na sociedade e no trabalho.  À ela é concedido o prêmio “Casato Prime Done”. Entre as mulheres premiadas, podemos citar Kerry Kenedy, paladina dos direitos humanos.

Nesta propriedade podemos ver obras de arte e placas em homenagem às ganhadoras do prêmio Casato Prime Done.

A Sra. Donatella é a terceira geração de sua família a dirigir uma vinícola.
A Sra. Francesca, mãe de Donatella, era chamada na região de Sra. Brunello.
O prédio sede da vinícola é de pedra, representando uma típica construção da região. Quando Donatella recebeu a propriedade de sua mãe, o seu estado era péssimo, passando então por um processo de modernização da produção e reconstrução de sua sede.
No fim do dia, voltamos para a propriedade de Donatella, em Trequanda, onde estávamos hospedados a convite da proprietária.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Degustação de vinhos Sauvignon Blanc

Participei de uma interessante degustação de vinhos varietais, da uva “Sauvignon Blanc”, de diferentes países. Estes vários vinhos com e sem passagem por barrica eram bem diferentes.

A origem da uva Sauvignon Blanc, descoberta na França, no século 18, tem duas versões: Uma delas no Vale do Loire, onde existem inúmeros castelos; e a outra na região de Bordeaux.

Esta uva tem sua casca esverdeada e seu nome original vem da palavra “sauvage” (selvagem), que fala de uma uva não cultivada e sim nativa.

Sua acidez é marcante, às vezes excessiva, quando cultivada em climas muito frios ou muito quentes. No entanto, é uma uva típica de climas frios, muito comum no vale do Loire e na Nova Zelândia, onde sua produção resulta em melhores vinhos.

Hoje em dia ela também é  muito cultivada no Chile, África do Sul, Áustria, Austrália, Canadá, Brasil, Califórnia, Itália, Argentina e Moldávia.

O vinho produzido com esta uva é fresco, seco e refrescante. Seu aroma em geral é herbáceo. Também podemos sentir no Sauvignon, aromas de aspargos, maracujás, frutas cítricas e de flores brancas.
Na França, esta uva é produzida tanto no clima marítimo, como o de Bordeaux, como também no clima continental do vale do Loire.

O vinho Pouilly Fumé, feita com a Sauvignon Blanc, vem da região de Pouilly-sur-Loire, localizada no vale do Loire, na comuna de Sancére. Dizem que o seu característico sabor esfumaçado (fumé) vem do tipo de solo da região, mas na realidade ele vem de barricas tostadas, onde é fermentado.
Os vinhos desta uva, produzidos em Bordeaux, são tradicionalmente “arredondados”, com o complemento da uva Semillon. Complementar o vinho com a Semillon é um processo utilizado em vinhos secos e doces, como por exemplo, na produção dos famosos Sauternes.
A alta acidez do Sauvignon Blanc combina bem com pratos ácidos, tais como: Molho de tomate, peixe com limão, queijo de cabra e comida thai. Um cuidado especial tem que ser tomado com as hortaliças como os brócolis, espinafre e abobrinha, que podem acentuar a personalidade herbácea do vinho.

O Sauvignon é um vinho para se consumir jovem, sendo que, em geral, não melhora com o envelhecimento, ao contrário, perde o seu frescor. Há porém, uma exceção, os vinhos que são envelhecidos em barris, que podem durar 15 anos ou mais.
A Nova Zelândia é um importante produtor deste vinho, com características bem particulares e diferentes do velho mundo.

Na degustação participaram 7 vinhos, sendo: 2 Franceses do Vale do Loire e 1 de Bordeaux, 1 Chileno, 2 da Nova Zelândia, 1 da África do Sul:
1)   
      Amaral 2010, produzido no Chile, Valle de Leyda, pela Agrícola São José de Peralillo. Tem aroma de grama cortada, maracujá e um fundo cítrico. Na boca tem uma mineralidade marcante. Tem 14,5 de álcool e custa R$54,00, na importadora Bruck (fone 3329-3400). Para mim este é o vinho mais fraco apresentado, devido ao excesso de álcool.

2)      Neudorf 2010, produzido pela Neudorf Vineyards, na região de Nelson, na Nova Zelândia. O aroma é de maracujá e aspargos, sendo potente na boca, com um fundo mineral. Tem 14% de álcool e custa R$100,00 na importadora Premium (fone 2574-8303). A sua acidez e amargor me incomodaram um pouco, colocando-o na quinta classificação.


3)      Mademoiselle T – Pouilly Fumé 2010, produzido por Château de Tracy, na região do Loire, na França. No nariz apresenta traços cítricos, esfumaçados e de flores brancas. Na boca tem uma boa acidez. Tem 13,5% de álcool e custa R$105,55 na importadora Decanter (fone: 3074-5454). Para mim este é o quarto vinho na classificação, tendo boa relação custo / benefício.


4)       Château Reynon, produzido na região De Bordeaux, “Entre deux mers”, na França. Apresenta aromas de grapefruit e peras. Na boca é bem mineral. Tem 13% de álcool e custa R$75,00, na importadora Casa Flora (fone: 3327-5199). Achei este o segundo pior vinho, devido ao seu amargor e acidez acentuada.


5)      Indigène Pouilly Fumé, produzido por Pascal Jovilet, na região do Loire, na França. É um excelente vinho, com um fundo de aroma de mel e mineralidade boa na boca. Tem 12,5% de álcool e custa US$124,90 na importadora Mistral (fone:3372-3400). Para mim é o terceiro melhor vinho.


6)      Baron de L., da Baron de Ladoucette & Comte Lafond, da região do Loire. Tem 12,5% de álcool e custa US$199,50, na importadora Vinci (fone: 2797-0000). Para mim é o segundo melhor vinho, com personalidade e aroma fumé e cítrico, elegante e potente.. Achei o segundo vinho na classificação.


7)     Dog point Section 94, da Dog Point Vineyards, da região de Marlborough, na Nova Zelândia. Tem 14% de álcool e custa R$202,35 na Viníssimo (fone: 4195-5554). Tem um acentuado aroma de melão.

Na votação, de todos os vinhos, o vinho Dog Point Selection ganhou o primeiro lugar. No entanto, seu alto preço (R$202,35), não justifica a escolha dele. Podemos comprar vinhos mais baratos com uma diferença de qualidade razoável.

Esta degustação me deu uma série de lições:
1)   Falar em tipicidade de um país, como foi o caso da Nova Zelândia, é muito vago, pois as técnicas de vinificação dão resultados muito diferentes. No caso do vinho Dog Point, em que há uma passagem por barrica, resulta num produto muito diferente dos outros da mesma região.
2)   O clima e terroir de cada país gera resultados muito distintos para a mesma casta.
3)   A região do Valle de Casablanca no Chile produz vinhos interessantes, devido à corrente de Humboldt (corrente de ar que traz um clima frio e nublado). Os resultados desta produção cada vez se aproximam mais dos vinhos da Nova Zelândia, tanto no estilo como na qualidade e capacidade de harmonizar com comidas.
4)   As regiões, cujos vinhos foram degustados, ficam numa baixa altitude e amplitude térmica marcante.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Visita à Montalcino - Toscana - Itália

Fomos à Montalcino para conhecer a vinícola San Polo, propriedade da família Allegrini, que por sua vez, produz um dos Brunellos de Montalcino, que está entre os melhores vinhos italianos.

A charmosa e pequena cidade medieval, inscrita pela Unesco como patrimônio da Humanidade,  vive em função dos vinhos Brunellos.

No final dos anos 1800 o vinho da região de Montalcino era um vinho branco doce denominado Moscadello de Montalcino. Nesta época, Clemente Santi começou a estudar o potencial da uva Sangiovese, na sua variedade Sangiovese grosso, localmente denominada Brunello por sua cor escura.

Por volta de 1860, Ferrucio Biondi-Santi iniciou a produção de um vinho tinto, que se mostrou de ótima qualidade. Este vinho passou a ser consumido na região, devido ao seu alto preço fora. Foi apenas em 1950 que ele tornou-se popular na Itália e no resto do mundo.

Para serem chamados de Brunello de Moltalcino DOCG, os vinhos devem ser feitos exclusivamente com uvas Sangiovese da região e envelhecidas em barricas por, no mínimo 24 meses e, mais 4 meses em garrafa, antes de serem comercializados.

Estes vinhos harmonizam com carne vermelha, principalmente caça, de preferência acompanhada de trufa. Combinam também com queijo pecorino (de ovelha) italiano.

A região do DOCG Brunello de Montalcino fica nas encostas de um morro, cuja cidade se localiza em seu topo.

Os 221 produtores de vinho, os produtores de Brunello, estão agregados num consórcio que fica numa região com uma área de 24.000 Hectares.

No contorno da cidade, podemos encontrar imponentes casas, sedes das vinícolas, com suas entradas cercadas de ciprestes, típicas propriedades da Toscana.
As lojas de vinhos se espalham pela cidade de Montalcino, disponibilizando para prova dos apreciadores de vinho, inúmeras marcas de Brunellos e Rossos de Montalcino, de vários produtores.
Passeando pela pequena  cidade, passamos pelo Duomo di San Salvatore, que é uma igreja românica gótica do século XIV, com sua frente decorada com mármore preto e branco.

Durante o percurso pela rua principal da cidade, vimos uma lousa, na porta de um restaurante chamado L‘Angolo. Um local simples, que no entanto, apresentava um cardápio tentador.

Fomos lá almoçar e pedimos os pratos que chamaram a nossa atenção: “Carpaccio de funghi porcini freschi com tartufo nero e queijo grana padano”, e  também “Vitelo ao molho de Brunello”. 



Para acompanhar esta refeição, pedimos duas taças de Brunello de Montalcino DOCG, produzido pela vinícola Fanti. Sua cor era púrpura intensa. Seu aroma era trufado, com notas minerais, integrado com o frutado e especiarias. Na boca apareceram taninos densos, macios e sedosos, com um fundo picante. Uma maravilha. 


Toda essa maravilha nos custou apenas  €25.

Comparando este valor com os preços cobrados nos restaurantes do Brasil... isto foi mesmo uma pechincha! Acredito que os preços daqui, resultam dos altíssimos impostos que pagamos!
A experiência foi única, o prato de funghi era mesmo divino, com suave aroma e sabor de trufa, um prazer indescritível!

Visitamos a fortaleza “Rocca”, que fica na entrada da cidade. Sua função era a de proteger a cidade dos inimigos.  Rocca tem cinco torres e dentro dela existe também uma Enoteca.
Contam que, no processo de unificação da Itália, a região de Montalcino ficou numa posição política neutra. Por este motivo, sua população foi castigada e obrigada a enterrar os mortos resultantes deste conflito. Receberam então o nome pejorativo de ”beccamorti” (papa mortos).

Depois do almoço fomos visitar a “Cantine Casato Prime Donne” ,vinícola de Donatella Cinelli Colombini, nesta mesma região de Montalcino.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

San Gimigniano - Toscana - Itália

Cercada de oliveiras e vinhedos fica San Gimigniano, uma cidade medieval da Toscana, famosa pelas suas torres feudais. No passado, lá existiam 72 torres, construídas pelas famílias influentes locais, para mostrar seus poderes. Hoje restam ainda 14 torres (estas torres não podiam ser construídas numa altura superior à da Comune).

A cidade foi fundada no século III AC pelos Etruscos, ganhando este nome no 10º século, em homenagem ao Bispo Saint Giminianus, que defendeu a cidade de Átila o Huno.

O centro da cidade tem quatro praças: Piazza dela Cisterna, Piazza Dome, Piazza Pecori e Piazza dele Erbe.

O vinho produzido na região é o Vernaccia de San Giminiano, produzido com a uva Vernaccia, que cresce na região. Este vinho foi considerado um dos melhores vinhos brancos italianos na renascença.

O filme ”Chá com Mussolini” foi parcialmente filmado em San Giminiano. Os afrescos que nele apareceram, foram protegidos da destruição na segunda grande guerra. Eles estão dentro do Duomo.
Estivemos lá há 21 anos, quando a cidade era bem tranquila. Dessa época para cá, a Itália teve um grande desenvolvimento, tornando-se então, um importante polo turístico, o que fez com que acabasse com a tranquilidade desta cidade.

Paramos num estacionamento fora dos muros da cidade e subimos as colinas até sua praça principal.
O agito era grande e tivemos que tirar foto do poço na Piazza dela Cistera, junto a um grupo de turistas. A praça é pavimentada com ladrilhos postos em forma de espiga.

Passamos pela Piazza Duomo, no estilo medieval, onde artistas pintavam as suas belezas.
San Giminiano é repleta de lojas de artesanato, principalmente de cerâmica feita e pintada à mão (pinto a mano, em italiano).

Contornamos os muros pelas ruas íngremes que os acompanham, apreciando a vista dos vales e das parreiras.

Descobrimos pelo passeio na cidade, o hotel Bel Soggiorno, onde ficamos hospedados há 21 anos, onde tem um restaurante com um amplo vidro, que dá uma bela vista para o vale. Nesta época que lá nos hospedamos, jantamos um delicioso prato de javali.

Visitamos um museu, no topo da cidade, que conta a história do vinho da região. San Giminiano fica no coração da região do Chianti.

Almoçamos na simpática Enoteca, Wine bar chamada Divinorum, coberta por uma parreira que mantem a temperatura amena. Comemos uma salada e javali afetati.

Provamos o delicioso Panizi da uva Vernaccia de San Giminiano 2007. Apesar de ser de 2007, é um vinho muito fresco. Recomendo abrir uma meia hora antes de tomar, para que ele fique mais leve. Este vinho é importado pela World Wine, e está na promoção por R$70,00.

Depois da visita, nos encaminhamos para a cidade de Siena.

Miolo revela quarta edição da Coleção dos Sete Lendários

Safra 2023 dá origem a sete vinhos ícones que expressam o melhor de quatro terroirs brasileiros onde o grupo firmou suas raízes. O lançament...